Agroecologia

Uso de patos em arrozais integra controle de pragas e manejo agrícola; veja

O sistema é organizado por meio de acordos entre agricultores e criadores especializados, que deslocam os animais até os arrozais logo após o término da colheita.

Foto: Reprodução.

Na Tailândia, agricultores utilizam patos no manejo dos arrozais após a colheita. Milhares de aves são soltas em campos alagados para se alimentarem de caramujos, insetos, larvas e restos de culturas, contribuindo para a redução de pragas antes do próximo plantio de arroz.

Imagens de grandes bandos de patos atravessando os campos ganharam destaque nas redes sociais, mas a prática é tradicional em regiões produtoras do país. O sistema é organizado por meio de acordos entre agricultores e criadores especializados, que deslocam os animais até os arrozais logo após o término da colheita.

Durante vários dias, os patos caminham continuamente pelo campo, revolvendo o solo superficial, consumindo organismos indesejados e espalhando restos vegetais. Esse processo auxilia na limpeza do arrozal e no preparo da área para a safra seguinte, sem a aplicação direta de pesticidas.

Funcionamento do sistema e alcance nos campos

Segundo relatos de produtores locais, um grupo de cerca de 3 mil patos consegue atuar em aproximadamente 70 hectares em cerca de uma semana. Nesse período, as aves se alimentam principalmente de caramujos, insetos e sementes remanescentes, interrompendo o ciclo de pragas que poderia afetar a próxima safra.

O deslocamento constante dos patos também contribui para o nivelamento do terreno e para a incorporação da palha de arroz ao solo. As fezes deixadas pelas aves funcionam como uma fonte adicional de nutrientes, complementando o manejo agrícola realizado entre as safras.

Após permanecerem nos arrozais por meses, em regime de rotação entre diferentes áreas, os patos retornam às fazendas de origem. Nessas propriedades, passam a ser mantidos em instalações adequadas para a produção de ovos, atividade que pode se estender por até três anos.

Relação entre criadores de patos e produtores de arroz

O sistema beneficia tanto criadores quanto agricultores. Para os criadores, a permanência dos patos nos arrozais reduz os custos com alimentação, já que os animais se alimentam do que encontram nos campos alagados. Para os produtores de arroz, os patos realizam o controle biológico de pragas, auxiliam na limpeza dos resíduos da colheita e reduzem a necessidade de insumos químicos e operações mecânicas.

Em algumas regiões, criadores trabalham com múltiplos bandos que se revezam entre diferentes propriedades ao longo do ano, acompanhando áreas onde podem ocorrer até três safras de arroz anuais. Essa dinâmica permite que os patos participem tanto do manejo agrícola quanto da etapa posterior de produção de ovos.

Embora a prática exija coordenação entre as partes envolvidas e adaptação às condições locais de clima, solo e sanidade animal, o uso de patos nos arrozais segue integrado ao ciclo produtivo do arroz em diversas áreas da Tailândia.

Fonte: Click Petróleo e Gás.