Pragas Rurais

Governo contrata caçadores para exterminar javalis

Estratégia emergencial adotada após enchentes na Austrália expõe como ações rápidas e coordenadas contra javalis podem reduzir prejuízos ambientais.

Austrália contrata caçadores após enchentes para conter javalis concentrados. Estratégia aérea busca reduzir danos e alerta o Brasil rural – Foto: Reprodução.

Após enchentes que atingiram o noroeste de Queensland, na Austrália, autoridades passaram a contratar equipes especializadas em abate aéreo para reduzir a população de javalis em áreas rurais afetadas. A medida aproveita um período considerado estratégico, no qual o comportamento dos animais é alterado pelas condições provocadas pelas cheias.

Com grandes áreas inundadas, os javalis tendem a se concentrar em terrenos mais elevados, como margens, elevações naturais e ilhas temporárias. Esse deslocamento forçado torna os grupos mais visíveis e previsíveis, aumentando a eficiência das ações de controle em comparação a períodos de normalidade.

A estratégia foi relatada pelo site Beef Central e confirmada por comunicados oficiais do governo de Queensland e do governo federal australiano. As operações integram um conjunto de medidas voltadas à recuperação pós-enchente e ao apoio direto aos produtores rurais.

Janela operacional criada pelas enchentes

Em condições normais, os javalis se dispersam por extensas áreas, utilizam vegetação densa como abrigo e alteram rotas com frequência, o que dificulta ações concentradas. Durante as enchentes, a redução das áreas secas limita o deslocamento dos animais, facilitando a identificação dos pontos de concentração a partir de operações aéreas.

A entidade AgForce informou ter alertado o governo estadual sobre o momento favorável para intensificar o controle. Segundo a avaliação apresentada, agir durante esse intervalo pode reduzir problemas futuros, especialmente enquanto as propriedades ainda enfrentam fragilidades estruturais.

Risco de crescimento populacional após o recuo da água

Autoridades australianas apontam o período posterior às enchentes como crítico para o controle de javalis. Com a água recuando, o ambiente volta a oferecer áreas adequadas para alimentação e reprodução, o que pode levar a um crescimento acelerado da população.

Ao mesmo tempo, muitas fazendas ainda lidam com cercas danificadas e equipes concentradas em reparos, o que reduz a capacidade de resposta imediata. Nesse cenário, os javalis podem ampliar danos a pastagens, cursos d’água e áreas sensíveis, elevando custos e prolongando a recuperação.

Em comunicado oficial, a ministra federal de Gestão de Emergências da Austrália, Kristy McBain, destacou que cercas danificadas aumentam o risco de novos problemas causados pelos animais. Já o ministro de Indústrias Primárias de Queensland, Tony Perrett, afirmou que a intervenção no momento atual busca reduzir impactos ambientais e sobre os rebanhos.

Apoio governamental e coordenação ambiental

O controle de porcos ferais faz parte do Primary Producer Support Package, programa que reúne 11,32 milhões de dólares australianos destinados à recuperação do setor rural após eventos climáticos extremos. Os recursos são liberados dentro de acordos de financiamento para recuperação de desastres associados ao sistema climático conhecido como North Queensland Monsoon Trough e a impactos do ex-ciclone tropical Koji.

As ações incluem coordenação com o Queensland Parks and Wildlife Service para permitir o controle também em áreas protegidas. Segundo o governo estadual, a presença de javalis afeta ecossistemas sensíveis, margens de rios e áreas úmidas, exigindo atuação integrada entre produtores e órgãos ambientais.

Relação com o cenário brasileiro

O caso australiano dialoga com a realidade do Brasil, onde javalis e seus cruzamentos são classificados como espécie exótica invasora e têm controle populacional autorizado em todo o território nacional. A legislação brasileira estabelece regras para registro, monitoramento e fiscalização das ações, tanto em áreas produtivas quanto em unidades de conservação.

Eventos climáticos extremos tendem a concentrar animais em áreas restritas, criando condições para ações mais eficazes quando há planejamento e resposta rápida. Segundo especialistas, a experiência internacional reforça a importância do tempo de atuação no manejo de espécies com alta capacidade de adaptação.

Fonte: Click Petróleo e Gás.