
O que antes era visto como uma aposta de risco até 2023, agora se consolida como o destino preferencial para o capital no agronegócio. A região do Matopiba — confluência entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — destaca-se pela valorização imobiliária rural muito acima da média nacional, segundo cruzamento de dados do Ministério da Agricultura, IBGE e consultorias especializadas.
Enquanto as terras no Sul do país enfrentam saturação, o chamado “Quadrilátero da Soja” atrai investimentos impulsionado por dois motores principais: a infraestrutura logística do Arco Norte e sucessivos recordes de produtividade no campo.
Confira abaixo os municípios que lideram esse “boom” imobiliário rural e os motivos de sua valorização:
1. Luís Eduardo Magalhães (BA)

Conhecida como a “Faria Lima” do Matopiba, a cidade não é apenas um polo de produção, mas um hub de serviços consolidado. A presença massiva de multinacionais e a infraestrutura urbana reduziram os custos operacionais, elevando o patamar de preços.
- Valor da Terra: Áreas nobres e irrigadas variam de R$ 80.000 a R$ 130.000 por hectare.
- Produtividade: Alcança de 600 a mais de 1.000 sacas de soja/ha.
2. São Desidério (BA)

Um “peso pesado” na geração de riqueza, o município lidera frequentemente o ranking de Valor Bruto da Produção (VBP). A alta rentabilidade, especialmente impulsionada pelo algodão, inflaciona os preços locais.
- Valor da Terra: Disputa acirrada coloca os valores entre R$ 75.000 e R$ 120.000 por hectare.
- Produtividade: Entre 550 a 950 sacas de soja/ha.
3. Balsas (MA)

O grande trunfo de Balsas é a eficiência logística para exportação via Porto do Itaqui. O frete mais competitivo para a China aumenta a margem líquida do produtor, garantindo alta liquidez aos imóveis.
- Valor da Terra: Mercado maduro, com preços de R$ 40.000 a R$ 75.000 por hectare em áreas próximas ao asfalto.
- Produtividade: De 350 a 600 sacas de soja/ha.
4. Uruçuí (PI)

O Piauí deixou de ser coadjuvante, com Uruçuí apresentando médias de produtividade que superam regiões tradicionais do Paraná. A alta tecnologia aplicada e a migração de produtores do sul impulsionam o mercado.
- Valor da Terra: Em franca ascensão, oscilando entre R$ 30.000 e R$ 60.000 por hectare.
- Produtividade: Entre 250 a 500 sacas de soja/ha.
5. Baixa Grande do Ribeiro (PI)

Recebe o “transbordamento” de Uruçuí. Com a saturação da cidade vizinha, Baixa Grande tornou-se o destino do capital de expansão, registrando valorização de dois dígitos.
- Valor da Terra: Focada no potencial de valorização futura (upside), com negócios entre R$ 25.000 e R$ 55.000 por hectare.
- Produtividade: De 200 a 450 sacas de soja/ha.
6. Campos Lindos (TO)
A região entrou no radar de fundos de investimento (Fiagros) após avanços significativos na regularização fundiária, superando um histórico gargalo de documentação.
- Valor da Terra: Recuperando preço, estimada entre R$ 25.000 e R$ 45.000 por hectare.
- Produtividade: Entre 200 a 400 sacas de soja/ha.
7. Tasso Fragoso (MA)
O foco aqui é a escala industrial. É um dos poucos locais onde ainda é possível montar projetos contínuos gigantescos, acima de 20 mil hectares, atraindo grandes investidores.
- Valor da Terra: Preço unitário menor devido ao volume de compra (atacado), variando de R$ 20.000 a R$ 40.000 por hectare.
- Produtividade: De 180 a 350 sacas de soja/ha.
8. Porto Nacional (TO)
A valorização é ditada pelos trilhos. A proximidade com a Ferrovia Norte-Sul e os terminais ferroviários gera um ágio logístico em um raio de até 100km.
- Valor da Terra: Negociada entre R$ 30.000 e R$ 55.000 por hectare nas áreas próximas ao terminal.
- Produtividade: Entre 250 a 450 sacas de soja/ha.
Fonte: Compre Rural.








