Agronegócio

Ator vira fazendeiro e se torna referência em produção orgânica

A fazenda Vale das Palmeiras foi adquirida há quase 30 anos e possui certificação orgânica desde 1997.

Foto: Reprodução.

Para quem acompanha a carreira de Marcos Palmeira nas novelas, é comum associá-lo a personagens ligados ao campo. Fora das telas, essa relação com a terra se consolidou na prática. Entre Copacabana e Teresópolis, no Rio de Janeiro, o ator administra há quase três décadas a fazenda Vale das Palmeiras, propriedade com mais de 200 hectares próxima ao Parque Nacional da Serra dos Órgãos, que se tornou referência em produção orgânica.

Origem do projeto rural

A ligação com o campo começou na infância, na fazenda do avô em Itororó, na Bahia. Ao longo da juventude, Palmeira também conviveu com povos indígenas. Aos 16 anos, passou dois meses com o povo Xavante. Depois, trabalhou no Museu do Índio, no Rio de Janeiro. Nos anos 1980, viveu no Pará com o povo Arara, ao lado do fotógrafo Luiz Carlos Saldanha.

Essa trajetória ajuda a entender a relação do ator com o meio ambiente. Para ele, preservação envolve território e as pessoas que vivem nele.

O início da produção rural, no entanto, foi prático. Ao comprar um sítio no Rio de Janeiro, adotou o modelo convencional de cultivo. Sem formação técnica, seguia orientações de lojas de insumos, utilizava fertilizantes e defensivos e levava hortaliças para a família, acreditando que produzia alimentos naturais.

A mudança ocorreu quando percebeu que os trabalhadores não consumiam o que era plantado devido ao uso frequente de venenos. Após ouvir essa justificativa, buscou formação em agricultura orgânica, alterou o manejo e passou a defender que o equilíbrio do solo é central para evitar pragas e manter a produtividade.

Vale das Palmeiras: estrutura e produção orgânica

A fazenda Vale das Palmeiras foi adquirida há quase 30 anos e possui certificação orgânica desde 1997. O portfólio inclui verduras, mel, café e chocolate. O principal eixo do negócio é o laticínio.

A propriedade ocupa mais de 200 hectares em Teresópolis (RJ), nas proximidades do Parque Nacional da Serra dos Órgãos. O queijo minas frescal é o carro-chefe e recebeu medalha de ouro no Guia do Queijo, em 2022. A edição do prêmio contou com mais de 120 participantes, mais de 60 produtores e representantes de 18 estados.

A produção mensal gira em torno de 5 mil peças de minas frescal, fabricadas cinco vezes por semana. A linha de laticínios inclui ainda minas padrão, queijo tipo parmesão, ricota, cottage, iogurtes e manteiga.

O rebanho é criado solto e alimentado com pasto. Para atender à demanda, a fazenda também compra leite orgânico de três produtores da região. O laticínio possui selo de inspeção estadual, o que permite vendas apenas no estado do Rio de Janeiro.

Fora do RJ, a comercialização envolve café produzido em parceria na própria fazenda e no Espírito Santo, mel oriundo de cooperativa e chocolate feito com cacau da família na Bahia. Os canais de venda incluem duas redes de supermercados, feiras, comércio online e entrega a domicílio.

Agrofloresta e preservação ambiental

Quando assumiu a propriedade, o vale apresentava erosão e áreas degradadas. Ao longo dos anos, a recuperação ambiental avançou. Atualmente, a fazenda abriga duas reservas particulares do patrimônio natural.

O plano de expansão prevê a adoção de sistemas de agrofloresta, com aumento do número de árvores nas áreas de pasto, mais sombra para o gado e ampliação da diversidade produtiva. O objetivo é crescer de forma organizada, mantendo o manejo orgânico e a certificação.