
Um encontro empresarial em Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) reuniu produtores, executivos e autoridades para discutir investimentos na Bolívia, com foco na expansão agrícola conduzida por empresários brasileiros.
O movimento envolve produtores de Mato Grosso que passam a olhar o país vizinho como nova área de produção, em regiões ainda pouco exploradas.
Terras mais baratas e nova fronteira
Entre os nomes presentes, Eraí Maggi Scheffer relatou que já atua na Bolívia, com aquisição de áreas que podem somar entre 30 mil e 40 mil hectares, principalmente na região da Chiquitania, próxima à fronteira com o Brasil.
O custo da terra aparece como um dos fatores de atração:
- Chiquitania: cerca de US$ 2 mil por hectare
- Mato Grosso (áreas de abertura): até US$ 7 mil por hectare
Em fala durante o evento, o produtor afirmou que os desafios locais lembram o início da ocupação agrícola em Mato Grosso, com limitações de infraestrutura e logística.
Ele defendeu maior articulação entre empresários e governos dos dois países para viabilizar projetos na região.
Estrutura ainda limita avanço
Apesar do interesse crescente, a Bolívia ainda apresenta entraves para expansão da produção:
- Deficiência em infraestrutura logística
- Limitações no fornecimento de energia
- Necessidade de maior segurança jurídica
Em algumas áreas, especialmente no departamento de Beni, o abastecimento elétrico ainda depende de geradores.
A legislação também impõe restrições. Há limite de até 5 mil hectares por pessoa física na aquisição de terras, o que tem levado produtores a formar associações ou estruturas coletivas para viabilizar projetos maiores.
Produtores já instalados ampliam presença
A produtora Mônica Marchett, com atuação no país há mais de três décadas, informou que o grupo familiar soma cerca de 100 mil hectares na Bolívia.
As atividades incluem:
- Produção e armazenagem de grãos
- Pecuária
- Melhoramento genético
Em entrevista, ela afirmou que novas áreas estão sendo avaliadas, especialmente na região do Beni, com um projeto que pode alcançar 60 mil hectares, incluindo testes com soja e cana-de-açúcar.
Segundo a produtora, o solo apresenta características semelhantes às de Mato Grosso, o que favorece a conversão de áreas.
Investimentos variam conforme a região
Os valores das terras mudam conforme a infraestrutura disponível:
- Áreas mais isoladas: cerca de US$ 50 por hectare
- Regiões com melhor acesso: até US$ 1.500 por hectare
O custo estimado para converter pastagens em lavouras gira em torno de US$ 300 por hectare.
Soja abre caminho para outras culturas
A soja aparece como principal cultura na fase inicial da expansão. A tendência é que outras cadeias avancem na sequência, incluindo o algodão.
O tema foi discutido no evento com participação de Marcelo Duarte, que apontou potencial de integração regional na cadeia têxtil.
Segundo ele, a Bolívia pode se inserir em um modelo em que diferentes países atuam em etapas complementares da produção, da fibra ao produto final.
A estimativa apresentada indica possibilidade de cultivo superior a 200 mil hectares de algodão no país, ainda com baixa presença dessa cultura.
Integração regional entra na pauta
Durante o encontro, empresários também cobraram maior previsibilidade jurídica e estabilidade política para ampliar os investimentos.
O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, participou das discussões e sinalizou interesse em fortalecer a integração com o Brasil.
Já o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, esteve entre os representantes brasileiros no evento.
A expansão do agro brasileiro na Bolívia ocorre em paralelo a discussões sobre logística, energia e acesso a mercados, temas considerados centrais para a viabilidade dos projetos.
Fonte: Agfeed.








