
Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, o ministro André de Paula assinou nesta terça-feira (23) uma portaria que institui o Programa de Integração Produtiva e Logística Brasil-Bolívia-Pacífico. A iniciativa tem como objetivo estabelecer diretrizes estratégicas para promover a integração produtiva, agroindustrial, logística e comercial entre o Brasil, a Bolívia e os mercados do Pacífico.
De acordo com o ministério, o programa busca ampliar a eficiência logística, reduzir custos de transporte e fortalecer a inserção internacional do agronegócio brasileiro. Entre as metas estão a agregação de valor à produção primária, o estímulo ao desenvolvimento regional e a atração de investimentos em infraestrutura e comércio exterior.
A portaria viabiliza o escoamento da produção agropecuária nacional por corredores logísticos que atravessam o território boliviano até os portos do Oceano Pacífico, oferecendo uma alternativa às rotas tradicionais de exportação. Assim, os produtos brasileiros podem ganhar maior agilidade e competitividade nos mercados asiáticos e do Pacífico.
Durante a cerimônia, o ministro André de Paula destacou a relevância do agronegócio para a economia brasileira e o protagonismo de Mato Grosso na produção nacional. Segundo ele, Mato Grosso responde por cerca de 35% de toda a produção do setor no país. “Quando se fala do agro, é importante reconhecer o papel de Mato Grosso, que é responsável por uma parcela significativa do que produzimos. Este ato, que representa um esforço conjunto, é fundamental para reduzir distâncias, diminuir custos e facilitar o acesso a mercados tão promissores”, afirmou.
Nelson Andrade, coordenador-geral de Cooperativismo, Associativismo Rural e Agregação de Valor do Ministério, explicou que o programa está estruturado em quatro eixos principais: apoio à infraestrutura e logística; facilitação regulatória e do comércio internacional; cooperação técnica e sanitária; e promoção comercial com atração de investimentos. Esses pilares orientam ações voltadas à valorização da produção, ao aumento da competitividade e à atração de investimentos no setor.
Para Mato Grosso, o programa representa uma oportunidade estratégica de impacto relevante. Como maior produtor agropecuário do Centro-Oeste e estado fronteiriço com a Bolívia, o estado poderá se beneficiar da consolidação de corredores rodoviários transfronteiriços, especialmente com a integração de trechos como a rodovia MT-199. Essa conexão fortalece o potencial do oeste mato-grossense como rota de acesso ao Pacífico, contribuindo para a redução de distâncias e custos logísticos no transporte de grãos, carnes e demais produtos agropecuários.
O corredor também pode beneficiar outros estados das regiões Centro-Oeste e Norte, ao oferecer uma alternativa logística para o escoamento da produção. Do lado boliviano, a iniciativa deve contribuir para o desenvolvimento da infraestrutura, fortalecimento do comércio bilateral e integração regional.
O ex-secretário-executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária, Irajá Lacerda, ressaltou que o programa é resultado de um trabalho iniciado em 2024 e consolidado na atual gestão. Segundo ele, foram mais de três anos de diálogo com diversos ministérios e setores para reconhecer a importância da fronteira oeste de Mato Grosso e da relação com a Bolívia como uma zona de integração.
Pedro Panoff de Lacerda, presidente do Comitê de Integração Brasil-Bolívia em Mato Grosso, parabenizou o ministro André de Paula pela assinatura da portaria. “Este programa de integração produtiva e logística é fundamental para fortalecer a relação com a Bolívia e o Pacífico, além de aproximar Mato Grosso de mercados importantes”, afirmou.
Já Vilmondes Tomain, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), destacou os benefícios regionais. “Essa integração vai encurtar caminhos e impulsionar uma região com terras férteis e forte agricultura. A abertura de um corredor para o oeste de Mato Grosso certamente aumentará a competitividade e trará ganhos em diversos aspectos”, comentou.
O programa prevê a realização de estudos técnicos, elaboração de recomendações estratégicas, articulação entre instituições e monitoramento contínuo das ações. Sua implementação poderá envolver parcerias público-privadas, tanto nacionais quanto internacionais.
A operacionalização será regulamentada pela Secretaria-Executiva do Ministério, que criará um Comitê Gestor por ato do ministro. A iniciativa integra a estratégia do Ministério da Agricultura e Pecuária de diversificar corredores logísticos, fortalecer a competitividade do setor agro e ampliar o acesso da produção brasileira aos mercados internacionais.
Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária.








