Sustentabilidade

Fertilizante verde já pode ter custo semelhante ao produzido a partir de gás natural

De acordo com o estudo, o Brasil reúne condições para produzir fertilizantes de baixo carbono a partir do uso de eletricidade de fontes renováveis e biometano na produção de amônia, insumo utilizado na fabricação de fertilizantes nitrogenados.

O custo de produção de fertilizantes nitrogenados a partir de matérias-primas renováveis no Brasil já se aproxima dos valores associados à produção nacional baseada em gás natural. A informação consta do estudo Decarbonizing the Ammonia Fertilizer Supply Chain in Brazil, elaborado pelo Instituto E+ Transição Energética em parceria com a organização Rocky Mountain Institute (RMI), dos Estados Unidos. O trabalho também apresenta recomendações para o desenvolvimento do setor no país.

De acordo com o estudo, o Brasil reúne condições para produzir fertilizantes de baixo carbono a partir do uso de eletricidade de fontes renováveis e biometano na produção de amônia, insumo utilizado na fabricação de fertilizantes nitrogenados.

A análise compara os custos de produção de três tipos de amônia no país: verde (produzida com energia renovável), cinza (a partir de gás natural) e azul (gás natural com captura e armazenamento de carbono). A comparação considera tecnologias atualmente disponíveis e diferentes cenários de preços. Os resultados indicam que, em projetos híbridos — que combinam geração elétrica dedicada e conexão à rede nacional —, o custo da amônia verde pode ser semelhante ao da amônia cinza e da azul em localidades como os portos de Rio Grande (RS) e Pecém (CE). Segundo o estudo, a amônia representa entre 60% e 90% do custo final dos fertilizantes.

O levantamento não inclui uma comparação entre os custos de fertilizantes produzidos no Brasil e os preços do produto importado. Segundo os autores, a análise concentrou-se nas condições nacionais de produção, em linha com as diretrizes do Plano Nacional de Fertilizantes 2050, que prevê a ampliação da produção doméstica e a redução das emissões do setor.

Atualmente, cerca de 97% dos fertilizantes nitrogenados utilizados na agricultura brasileira são importados. O Plano Nacional de Fertilizantes, desenvolvido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) em conjunto com o Conselho Nacional de Fertilizantes e Nutrição de Plantas (Confert), estabelece metas de aumento da produção nacional equivalente em nitrogênio: 1,7 milhão de toneladas até 2030, 2,4 milhões até 2035, 2,8 milhões até 2040 e 3,2 milhões até 2050.

O estudo também mapeia a capacidade instalada atual e projetos em desenvolvimento no país. Considerando o total das plantas identificadas, a capacidade potencial de produção seria de 3,8 milhões de toneladas de nitrogênio por ano, o que corresponderia a cerca de 45% da demanda projetada para 2050. Desse volume, aproximadamente 1,2 milhão de toneladas poderiam ser produzidas a partir de fontes de baixo carbono.

A elevada dependência de importações, segundo o estudo, expõe a agricultura brasileira à volatilidade do mercado internacional e a eventos externos, como os que impactaram os preços globais de fertilizantes em 2021 e 2022, no contexto da guerra na Ucrânia. Em 2024, o déficit comercial brasileiro do setor alcançou US$ 4,3 bilhões.

Para reduzir essa exposição, o estudo aponta a necessidade de coordenação de políticas públicas, estímulo a investimentos, ampliação da infraestrutura e mecanismos de incentivo à demanda. Entre os principais pontos destacados para o avanço do setor estão: a definição de uma estratégia nacional para a descarbonização dos fertilizantes; o alinhamento de políticas e metas específicas para fertilizantes de baixo carbono; a criação de instrumentos financeiros para reduzir riscos e custos de capital; a expansão da infraestrutura energética para integração de hidrogênio verde e biometano; e o desenvolvimento de mecanismos que sinalizem demanda de longo prazo por esses produtos.

Fonte: E+Energia.