
A Embrapa Rondônia vai coordenar a criação do primeiro sistema de benchmarking voltado à cadeia da castanha-da-amazônia, também conhecida como castanha-do-brasil ou castanha-do-pará. A proposta prevê a implantação de indicadores padronizados para avaliar a eficiência industrial no beneficiamento do produto.
O projeto foi um dos seis selecionados no edital Projetos de Pesquisa em Economia Sustentável na Amazônia, promovido pelo Instituto Clima e Sociedade em parceria com o Bezos Earth Fund. Ao todo, 221 propostas foram apresentadas por instituições científicas da região.
A metodologia permitirá comparar o desempenho de beneficiadoras e identificar pontos de ajuste nos processos produtivos e na gestão. Entre os indicadores previstos estão taxa de corte da matéria-prima, rendimento de produção e percentual de amêndoas quebradas. As informações devem orientar análises técnicas individualizadas para cada empresa participante.
Nesta etapa inicial, seis beneficiadoras dos estados do Pará, Amazonas, Rondônia e Mato Grosso aderiram ao projeto. Os dados serão compartilhados sob sigilo, conforme a Lei Geral de Proteção de Dados. Cada empresa receberá relatórios específicos. Os resultados consolidados e anonimizados vão subsidiar recomendações para o setor e contribuir com a formulação de políticas públicas.

A iniciativa também prevê articulação com instituições como Financiadora de Estudos e Projetos, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial. O objetivo é integrar os dados produzidos ao planejamento de ações voltadas à bioeconomia.
O benchmarking surgiu na década de 1980, na Xerox Corporation, como ferramenta de comparação de desempenho entre empresas. Apesar da difusão no setor produtivo global, cadeias da bioeconomia amazônica ainda não contam com estrutura semelhante de monitoramento sistemático.
Além da coleta e análise de dados industriais, o projeto inclui a formação de estudantes de graduação e pós-graduação da região em métodos de análise industrial e bioeconomia. A equipe também pretende aplicar o Método de Análise Hierárquica, conhecido como AHP, para selecionar e validar indicadores adicionais, incluindo critérios ligados à sustentabilidade ambiental, custos de produção e qualidade do produto.
As informações serão processadas em ambiente estatístico e organizadas em uma plataforma de análise comparativa, com acesso restrito às instituições parceiras.
A execução ficará a cargo de uma rede formada pela Embrapa Rondônia, Embrapa Instrumentação, Embrapa Meio Ambiente, Embrapa Acre, Universidade Federal de Rondônia, New York University, Centro de Empreendedorismo da Amazônia, Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos e organizações da base produtiva da castanha-da-amazônia.
Fonte: Embrapa.








