Agronegócio

China está erguendo fazendas de porcos em arranha-céus

O empreendimento será construído na província de Tay Ninh, no sudeste do país, e prevê capacidade para alojar 64 mil suínos.

Imagem gerada por IA.

A criação de suínos em edifícios de vários andares, modelo que ganhou espaço na China nos últimos anos, começa a ser implantada em outros países. Um projeto liderado pela empresa chinesa Muyuan Foods pretende instalar no Vietnã um complexo que reúne granja vertical e fábrica de ração, com investimento superior a US$ 450 milhões, cerca de R$ 2,3 bilhões.

O empreendimento será construído na província de Tay Ninh, no sudeste do país, e prevê capacidade para alojar 64 mil suínos. A estrutura inclui também uma unidade industrial capaz de produzir quase 600 mil toneladas de ração por ano.

A iniciativa marca a expansão internacional de um modelo produtivo desenvolvido na China para aumentar a eficiência da suinocultura e otimizar o uso de áreas disponíveis.

Complexo integra produção e alimentação

O projeto será desenvolvido em parceria entre a Muyuan Foods e a empresa vietnamita BAF. A proposta reúne duas estruturas principais:

  • Granja vertical com capacidade para 64 mil suínos
  • Fábrica de ração com produção anual próxima de 600 mil toneladas

A configuração busca integrar diferentes etapas da produção no mesmo complexo. A criação dos animais passa a operar conectada à fabricação de ração, ampliando o controle sobre custos, logística e ritmo produtivo.

O plano recebeu aprovação das autoridades da província de Tay Ninh e também do governo central vietnamita em setembro, etapa que autorizou o início da implantação.

Modelo nasceu após crise sanitária na China

A adoção de granjas em edifícios de vários andares ganhou força na China após o surto de peste suína africana em 2018. A doença provocou perdas expressivas no rebanho e levou o país a reorganizar parte da produção.

Entre as medidas adotadas esteve a autorização, em 2019, para criação de suínos em prédios de múltiplos pavimentos. A partir desse momento, empresas do setor passaram a investir em estruturas verticais.

Um dos exemplos mais conhecidos está na cidade de Ezhou, na província de Hubei, onde duas torres de 26 andares foram projetadas para produzir até 1,2 milhão de porcos por ano.

A própria Muyuan construiu em Nanyang, em 2020, um complexo com cerca de 20 edifícios e capacidade superior a dois milhões de animais anuais.

Por que as granjas verticais atraem o setor

A principal proposta das fazendas verticais é concentrar a produção em menor área de terra. Em regiões com grande densidade populacional ou disputas por espaço, esse modelo permite ampliar o número de animais sem expandir a área ocupada.

Entre os pontos citados pelas empresas que adotam o sistema estão:

  • melhor aproveitamento do solo
  • automação de alimentação e monitoramento
  • maior controle de resíduos e esterco
  • sistemas mais rígidos de biossegurança

Os complexos costumam operar com equipamentos automatizados, alimentação programada e sistemas de coleta de dados sobre os animais.

Concentração também levanta preocupações

A criação intensiva em grandes estruturas também gera discussões no setor. A principal preocupação envolve o risco sanitário em caso de doenças.

Como milhares de animais ficam concentrados no mesmo conjunto de edifícios, eventuais falhas nos sistemas de ventilação ou controle podem favorecer a disseminação de enfermidades.

Ao mesmo tempo, a verticalização faz parte de uma transformação mais ampla na suinocultura chinesa. O país, que concentra o maior rebanho suíno do mundo, vem substituindo gradualmente criações domésticas por operações comerciais de grande escala.

Projeto no Vietnã funciona como teste internacional

A entrada da Muyuan no Vietnã indica a intenção de levar esse modelo para fora da China. A companhia é considerada a maior produtora de suínos do país e uma das principais empresas globais do setor.

No complexo planejado em Tay Ninh, não será exportado apenas capital ou tecnologia de construção. A proposta envolve replicar um sistema completo de produção verticalizada, testado no mercado chinês.

Caso a operação se consolide, iniciativas semelhantes podem surgir em outros países com pressão por produtividade, controle sanitário e uso intensivo de terra.

Fonte: Compre Rural.