
Em Campestre, no Sul de Minas Gerais, uma propriedade que durante décadas cultivou café passou por uma mudança completa de atividade. Há cerca de 15 anos, a família responsável pela área decidiu investir na pecuária de corte. A antiga lavoura deu lugar a confinamento, recria intensiva, terminação intensiva a pasto, produção de grãos e estrutura de armazenagem.
A transformação levou a Fazenda Cigana ao reconhecimento nacional em rentabilidade na safra 22/23, segundo benchmark do setor agropecuário que avaliou indicadores produtivos e financeiros. Na safra 23/24, a propriedade voltou a figurar entre as referências.
Confinamento com 1.800 animais e giro curto
O confinamento é o eixo central do sistema. A capacidade estática é de 1.800 bovinos, com permanência média entre 90 e 100 dias. O giro mais curto reduz capital parado e organiza o fluxo de caixa ao longo do ano.
O ganho médio diário chega a 1,5 quilo por animal. O ganho de carcaça se aproxima de 1 quilo ao dia, considerando o padrão genético adotado.
A dieta é composta por silagem de milho produzida na própria fazenda, farelo de amendoim, grão úmido, núcleo mineral e ureia. O uso do farelo de amendoim substitui a soja, aproveitando a oferta regional.
A gestão financeira acompanha cada lote. A compra dos animais, o custo da arroba produzida e a venda com mecanismos de proteção de mercado fazem parte do planejamento. A propriedade também adotou brinco eletrônico há cerca de um ano e meio, o que permite identificar cada animal no manejo, registrar desempenho individual e consolidar dados produtivos.
Os bebedouros são rasos, revestidos e com alta vazão de água, facilitando a limpeza e o controle sanitário.
TIP amplia abates no verão
Para distribuir melhor a produção ao longo do ano, a fazenda estruturou a terminação intensiva a pasto. Os animais entram no sistema com peso entre 420 e 450 quilos e seguem para abate ainda no período das águas.
A ração é fornecida no cocho e o pasto complementa a dieta. No inverno, a lotação é ajustada de acordo com a oferta de forragem. O consumo é acompanhado diariamente.
A recria intensiva prepara os bovinos para que cheguem ao confinamento dentro do peso previsto no planejamento anual.
A direção também aponta pontos que estão em revisão, como trechos de cerca com maior espaçamento e áreas que ainda utilizam fontes naturais de água. Há projeto para instalação de novos pontos centrais de abastecimento.
Compostagem muda o perfil do solo

O pátio de compostagem reúne 11 leiras e cerca de 1.200 toneladas de composto orgânico. O material combina esterco do confinamento, palha de café, bagaço de cana, pó de serra e capiaçu. Também recebe pó de rocha, dolomita e gesso.
Há cinco anos, áreas de pastagem apresentavam níveis de fósforo próximos de 2. Atualmente, alguns talhões registram índices entre 30 e 40. Em outras áreas, que variavam de 5 a 8, os números também avançaram.
A elevação da fertilidade contribuiu para maior produção de forragem e reduziu a dependência de adubação química. A fazenda mantém ainda geração de energia por placas solares e cultivo de eucalipto para uso interno.
Metas definidas e acompanhamento frequente
A rotina inclui reuniões mensais com a equipe e encontros específicos antes de etapas como plantio e início de confinamento. As metas da semana são compartilhadas por setor. O planejamento anual estabelece números de referência, como volume de animais abatidos e quantidade de bezerros comercializados.
Entre os indicadores acompanhados estão ganho médio diário, lotação, desembolso por cabeça ao mês, custo da arroba produzida, volume de silagem e margem por lote.
A propriedade deixou o café e estruturou, ao longo de 15 anos, um sistema baseado em acompanhamento técnico e controle de dados. Os resultados apareceram nas últimas safras avaliadas.
Fonte: Léo Lima. Patuá / YouTube.








