
Os sistemas integrados de produção estiveram no centro do debate sobre renda, eficiência e sustentabilidade no agronegócio brasileiro durante o Fórum Integração e Biocompetitividade A Solução Brasileira, realizado nesta segunda-feira, 2, no Instituto Biológico, na capital paulista.
O encontro foi promovido pela Rede ILPF em parceria com a Associação Brasileira do Agronegócio e reuniu produtores, representantes da indústria, pesquisadores e autoridades. A proposta foi discutir como a Integração Lavoura Pecuária Floresta pode ampliar a produtividade, gerar renda e fortalecer a inserção do Brasil nas cadeias de alimentos e energia renovável.
Atualmente, o sistema ocupa cerca de 21 milhões de hectares no país. Há potencial de expansão em parte dos 159 milhões de hectares de pastagens, muitas com algum nível de degradação. A lógica do modelo é integrar atividades agrícolas, pecuárias e florestais na mesma área, promovendo efeito de uso mais intensivo da terra e diversificação de receitas no curto, médio e longo prazo.
Na abertura, o presidente-executivo da Rede ILPF, Francisco Matturro, afirmou que o sistema amplia sua conexão com as cadeias agroindustriais e com a produção de energia. Ele informou que o Instituto Biológico deverá implantar uma área experimental dedicada à ILPF, voltada à pesquisa e demonstração tecnológica.
O vice-presidente da Abag, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, avaliou que a expansão do modelo amplia a oferta de matérias-primas para alimentos e biocombustíveis. Grãos podem ser direcionados à produção de ração e energia, enquanto a madeira atende a diferentes usos industriais.
O secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Geraldo Melo Filho, informou que o estado possui cerca de um milhão de hectares com ILPF e que a meta é dobrar essa área até 2030. Segundo ele, o projeto IntegraSP, coordenado pela Rede ILPF, vem servindo de referência para outras regiões.
Em entrevista, o professor sênior do Insper Marcelo Jank afirmou que os sistemas integrados se desenvolveram a partir de demandas de mercado, pela possibilidade de combinar agricultura, pecuária e floresta e integrar essas atividades com serviços e indústria. Ele destacou que o domínio da agricultura tropical coloca o Brasil em posição estratégica diante da necessidade global de produzir mais alimentos com uso eficiente de recursos.

Representantes da Embrapa Territorial e da Embrapa Meio Ambiente participaram do debate. Gustavo Spadotti afirmou que a sustentabilidade pode contribuir para manter mercados internacionais abertos ao produto brasileiro. Ana Paula Packer ressaltou que a visão integrada favorece decisões mais amplas dentro da propriedade.
Pesquisadores também abordaram a viabilidade do modelo para pequenos produtores, com integração de hortaliças, frutas, plantas medicinais e pecuária de leite. Foi mencionado ainda que o balanço de carbono no sistema tende a ser positivo, devido ao aumento de matéria orgânica no solo e ao sequestro de carbono.
Outro ponto discutido foi a necessidade de apresentar dados consistentes sobre geração de emprego, renda, exportações e eficiência no uso de insumos, diante de questionamentos internacionais relacionados à pegada ambiental da produção agrícola.
Fonte: Rede ILPF.









