Agronegócio

Produtores param colheita por falta de diesel e temem perda de grãos

Nos últimos dias, agricultores relataram atrasos ou suspensão na entrega de diesel por parte dos transportadores responsáveis pelo abastecimento das propriedades, conhecidos como TRRs.

Foto: Wenderson Araujo/Trilux.

Produtores rurais começaram a interromper a colheita de grãos em algumas regiões do país diante da dificuldade para obter diesel no momento em que a safra 2025/2026 entra em fase decisiva. A escassez do combustível já tem impacto direto na operação de máquinas agrícolas e no transporte da produção.

Relatos vindos do Rio Grande do Sul indicam que propriedades precisaram suspender temporariamente a retirada de soja e arroz das lavouras. O problema ocorre justamente durante o período em que colheitadeiras e tratores operam de forma contínua para aproveitar a janela ideal de colheita.

Entidades do setor agrícola passaram a mobilizar autoridades em busca de uma solução para normalizar o abastecimento.

Máquinas paradas em plena safra

Nos últimos dias, agricultores relataram atrasos ou suspensão na entrega de diesel por parte dos transportadores responsáveis pelo abastecimento das propriedades, conhecidos como TRRs.

Sem combustível, colheitadeiras, tratores e caminhões permanecem parados em áreas produtoras. Em várias lavouras, o grão já está no ponto de colheita, mas os trabalhos não podem continuar.

A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul informou que recebeu centenas de mensagens de produtores relatando paralisações nas propriedades.

Em entrevista, o presidente da entidade, Gedeão Pereira, afirmou que a preocupação é imediata. Segundo ele, se o problema persistir, parte da produção pode permanecer no campo por tempo além do ideal. “Vamos perder o grão”, disse.

A demora na colheita aumenta a exposição das lavouras a fatores climáticos como chuva e vento, que podem comprometer a qualidade da produção.

Problema atinge distribuição de combustível

De acordo com representantes do setor, o abastecimento começou a apresentar falhas na cadeia de distribuição. A interrupção teria ocorrido após suspensão temporária de fornecimento por parte de refinarias para distribuidoras.

Com a redução no fluxo do combustível, transportadores responsáveis pela entrega no interior deixaram de abastecer propriedades rurais.

O cenário coincide com um período de grande consumo de diesel no campo. Durante a colheita, o combustível é utilizado em diferentes etapas da operação agrícola, incluindo:

  • funcionamento de colheitadeiras e tratores
  • transporte da produção até armazéns
  • preparação das áreas para a próxima safra

Tensão internacional pressiona mercado de combustível

O mercado de combustíveis também enfrenta pressão com a elevação das cotações internacionais do petróleo. O aumento está ligado a conflitos e tensões no Oriente Médio, que influenciam o valor do barril no mercado global.

Produtores relatam que o preço do diesel já apresenta aumento em algumas regiões, chegando a cerca de R$ 1,50 por litro em determinados casos.

Mesmo com a alta, representantes do setor afirmam que a principal preocupação no momento é a disponibilidade do combustível.

Goiás também acompanha a situação

A preocupação também chegou ao Goiás, estado que vive período intenso do calendário agrícola com colheita de soja e início do plantio da segunda safra de milho.

A Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás informou que acompanha relatos de dificuldade de abastecimento e avalia possíveis impactos nas operações agrícolas.

O diesel é considerado um insumo essencial para a atividade rural, sendo utilizado tanto na mecanização das lavouras quanto no transporte da produção.

Agência reguladora acompanha abastecimento

Após os relatos do setor produtivo, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis informou que passou a acompanhar o abastecimento de diesel no país.

Segundo o órgão, os estoques nacionais são considerados suficientes e a produção continua ocorrendo em refinarias brasileiras, incluindo a Refinaria Alberto Pasqualini.

A agência também informou que poderá investigar casos de recusa de fornecimento ou aumentos considerados irregulares por parte de distribuidoras e revendedores.

Fonte: Compre Rural.