Combustíveis & Energia

Lixo urbano vira combustível em nova planta de biometano inaugurada em Paulínia

A estrutura integra um ecoparque voltado ao aproveitamento energético de resíduos.

Foto: Reprodução.

Uma unidade instalada em Paulínia, no interior de São Paulo, passa a operar como a maior planta de biometano do Brasil. O empreendimento transforma resíduos sólidos urbanos em combustível renovável destinado ao abastecimento da indústria e do transporte.

A inauguração ocorreu em 09/03 e contou com a presença do governador Tarcísio de Freitas e da secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende. A estrutura integra um ecoparque voltado ao aproveitamento energético de resíduos.

Capacidade da nova planta

A unidade pertence à empresa OneBio e possui capacidade nominal de 225 mil metros cúbicos de biometano por dia. O volume representa cerca de um terço da capacidade instalada desse combustível no estado de São Paulo.

A produção equivale ao consumo energético de mais de 1.000 ônibus urbanos.

O projeto foi desenvolvido por meio de parceria entre:

  • Edge, responsável por 51% da participação
  • Orizon Valorização de Resíduos, com 49% do investimento

O biometano produzido será comercializado pela Edge e já está conectado à rede de distribuição de gás canalizado.

Neste início de operação, a planta trabalha com aproximadamente 50% da capacidade instalada. A expectativa é alcançar operação plena ao longo de 2026.

Como os resíduos viram combustível

O biometano é obtido a partir do biogás gerado pela decomposição de resíduos orgânicos em aterros sanitários.

No ecoparque de Paulínia, o processo ocorre em etapas:

  1. resíduos sólidos passam por decomposição natural
  2. o biogás liberado é captado por sistemas instalados no local
  3. o gás segue para um processo de purificação
  4. o teor de metano é elevado até atingir padrão semelhante ao do gás natural

Após o tratamento, o biometano pode ser distribuído pela rede existente de gás canalizado.

Uso na indústria e no transporte

O combustível pode ser utilizado em diferentes aplicações energéticas.

Na indústria, o biometano pode substituir o gás natural em processos produtivos que demandam calor ou energia térmica.

No transporte, o combustível pode abastecer veículos movidos a gás, como:

  • ônibus urbanos
  • caminhões
  • frotas logísticas

Um exemplo de aplicação envolve um contrato entre a Edge e a Unilever para fornecimento do combustível a uma fábrica localizada em Valinhos, no interior paulista.

Expansão do biometano em São Paulo

O estado de São Paulo concentra atualmente 9 das 19 plantas de biometano em operação no Brasil, com capacidade aproximada de 700 mil metros cúbicos por dia.

Em dezembro de 2025, a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo publicou uma norma que permite a interconexão de plantas de biometano à rede de gás canalizado. A regulamentação prevê que os custos de conexão sejam pagos pelos fornecedores por meio da chamada TUSD-Verde, tarifa de uso do sistema de distribuição.

A política faz parte das metas da Política Estadual de Mudanças Climáticas e do Plano Estadual de Energia 2050, que apontam o biometano como alternativa para ampliar a participação de fontes renováveis na matriz energética.

Potencial de produção no estado

Estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo indica que o estado possui potencial para produzir até 6,4 milhões de metros cúbicos de biometano por dia.

Grande parte desse volume poderia vir do aproveitamento de resíduos do setor sucroenergético, como:

  • vinhaça
  • torta de filtro
  • bagaço
  • palha da cana

Caso esse potencial seja explorado, a cadeia produtiva poderia gerar até 20 mil empregos diretos, indiretos e induzidos.

Projeções indicam que São Paulo pode ultrapassar 800 mil metros cúbicos por dia de capacidade de produção até 2026 e superar 1 milhão de metros cúbicos por dia até 2028.

Fonte: Click Petróleo e Gás.