A menor oferta global de cacau e a demanda constante elevaram os preços da amêndoa na última safra, refletindo diretamente nos valores dos chocolates no mercado. Para evitar um repasse significativo ao consumidor, a indústria tem adotado estratégias comerciais, como a redução do tamanho das porções e a diversificação do portfólio de produtos, especialmente com a proximidade da Páscoa. A busca por alternativas visa manter a competitividade no setor e minimizar o impacto do encarecimento da matéria-prima sobre os consumidores.

As condições climáticas adversas na África, maior produtora mundial de cacau, afetaram a produtividade e reduziram a oferta global da commodity. A oscilação entre períodos de seca e excesso de chuvas, associada ao aumento de pragas e doenças fúngicas, comprometeu a produção em países como Costa do Marfim e Gana, que juntos somaram 2,2 milhões de toneladas na última safra. Além disso, o envelhecimento das árvores, práticas ecológicas limitadas e o baixo volume de investimentos dificultaram a recuperação da produtividade, ampliando a escassez da amêndoa no mercado internacional.
O cacau utilizado pela indústria para fabricação dos chocolates atualmente disponíveis no varejo foi adquirido ainda no final do ano passado. O produto já reflete a valorização acumulada de 130% registrada em 2024, tornando o cacau a commodity agrícola de maior encarecimento no período. O impacto desse cenário se tornou evidente nos estoques globais, pressionando os preços e exigindo novas estratégias da indústria para equilibrar os custos sem prejudicar o consumo.
Para a próxima safra brasileira, a expectativa é de maior produtividade nas lavouras dos estados da Bahia e do Pará, responsáveis por 95% da produção nacional. O aumento da oferta pode amenizar os preços do cacau, que devem continuar elevados, mas com valores inferiores aos atuais. A projeção sugere um alívio gradual para a indústria, que poderá ajustar seus custos e manter o mercado consumidor aquecido.