Economia

Indústria verde ganha impulso com lançamento do Plano Nacional de Bioeconomia

Plano Nacional busca ampliar presença do país nas cadeias globais com base na biodiversidade

Foto: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
Foto: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços

Nesta quarta-feira (01/04), o governo federal lançou o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio), uma iniciativa coordenada pelos ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), do Meio Ambiente (MMA) e da Fazenda (MF), com a participação de representantes da Comissão Nacional de Bioeconomia e demais setores envolvidos. Segundo o MDIC, o objetivo do plano é promover a sociobioeconomia no Brasil como estratégia de desenvolvimento econômico, social e ambiental, fundamentada no uso sustentável da biodiversidade nativa e na valorização de comunidades tradicionais.

Durante o evento realizado em Brasília, o vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, destacou a relevância da bioeconomia para o eixo sustentabilidade da Nova Indústria Brasil (NIB). Segundo Alckmin, o modelo de desenvolvimento busca conciliar crescimento econômico com responsabilidade ambiental, incluindo ações voltadas à redução de emissões de gases de efeito estufa, combate ao desmatamento e promoção de uma agenda de desenvolvimento sustentável.

Marina Silva, ministra do Meio Ambiente, afirmou que o PNDBio representa uma mudança estrutural na economia brasileira. Ela ressaltou que a bioeconomia pode contribuir para a paz mundial, especialmente por meio dos biocombustíveis, que oferecem alternativas em momentos de conflitos globais. Segundo a ministra, a iniciativa busca integrar diversos setores — como extrativistas, comunidades indígenas, indústria de cosméticos e setor farmacêutico — promovendo um ciclo de prosperidade baseado na democracia e soberania, essenciais para transformar a biodiversidade em desenvolvimento justo, inclusivo e sustentável.

Participaram do lançamento do PNDBio o assessor especial do MF, Rafael Dubeux, e a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello. O plano foi elaborado sob coordenação da Comissão Nacional de Bioeconomia, envolvendo 16 ministérios, sociedade civil e setor produtivo, e integra um arcabouço normativo que organiza o desenvolvimento sustentável do país. Entre as iniciativas relacionadas estão o Plano de Transformação Ecológica, o Plano Clima, a Taxonomia Sustentável Brasileira, a Estratégia Nacional de Descarbonização Industrial e a Nova Indústria Brasil.

Missões e metas do MDIC

De acordo com o MDIC, o PNDBio possui três missões no eixo de Bioindustrialização Competitiva:

  • Missão 03 | Saúde e bem-estar: inovação e aumento da capacidade de produção nacional de insumos e produtos de origem biológica;
  • Missão 04 | Aproveitamento integral da biomassa: transformar resíduos e subprodutos da agropecuária e do extrativismo em bioprodutos de alto valor agregado;
  • Missão 05 | Bioquímica de renováveis: substituir progressivamente matérias-primas fósseis por insumos renováveis na indústria química e de combustíveis.

Segundo a secretária de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do MDIC, Julia Cruz, o PNDBio busca equilibrar a proteção ambiental com a melhoria da qualidade de vida na floresta. Cruz destacou que a iniciativa visa gerar renda para os brasileiros em diferentes regiões, promovendo uma economia baseada em inovação, justiça social e sustentabilidade.

Fundo Amazônia

Além do PNDBio, o governo anunciou a destinação de R$ 350 milhões do Fundo Amazônia para apoiar projetos de sociobioeconomia e inovação na Amazônia Legal. A iniciativa tem foco na inclusão produtiva, fortalecimento de cooperativas e desenvolvimento científico e tecnológico, beneficiando diretamente mais de 5 mil famílias e pelo menos 60 cooperativas, além de envolver cerca de 60 instituições científicas e tecnológicas, sendo pelo menos 32 na própria região amazônica.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.