
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o avanço na construção da Política Nacional de Economia de Dados (PNED) tem sido marcado por debates envolvendo representantes do setor produtivo, academia e órgãos governamentais. Na terça-feira (01/04), o MDIC, em parceria com a Agência Nacional de Desenvolvimento Industrial (ABDI), promoveu um workshop para discutir experiências internacionais, resultados de pesquisas com empresas brasileiras e perspectivas que orientarão a elaboração da política nacional.
Durante a abertura do evento, o secretário-adjunto de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços (SDIC/MDIC), Luis Felipe Giesteira, destacou o potencial estratégico do país na economia de dados, alinhado à missão 4 da Nova Indústria Brasil (NIB). Segundo ele, o Brasil ocupa a quarta colocação mundial na geração de dados e possui condições de transformar esse potencial em vantagem competitiva para o setor industrial.
De acordo com Cristiane Rauen, diretora de Transformação Digital e Inovação do MDIC, a construção da PNED conta com a participação do setor produtivo e a articulação entre diferentes órgãos do governo. Ela ressaltou que esse processo é fundamental para garantir a efetividade da política, uma vez que a compreensão do valor estratégico dos dados por parte das empresas é essencial para o desenvolvimento de soluções inovadoras e para o uso estratégico dos ativos de informação.
Quatro eixos
O MDIC apresentou os quatro principais eixos que estruturam a PNED. O primeiro trata do arcabouço normativo, com medidas voltadas a garantir a segurança e a viabilidade do uso e compartilhamento de dados. O segundo eixo aborda a governança, com a definição de estruturas para implementação e monitoramento da política. O terceiro eixo, de Fomento e Soluções Tecnológicas, visa estimular a adoção de tecnologias para uso e compartilhamento de dados, além de estabelecer linhas de incentivo. Por fim, o quarto eixo contempla ações de sensibilização, formação e capacitação, voltadas ao desenvolvimento de competências operacionais e de geração de valor a partir dos dados.
Tomada pública
Durante o workshop, foram apresentados os resultados de uma pesquisa realizada pelo MDIC, com apoio da ABDI e da NEO-UFRGS, que mapeou o grau de maturidade das empresas brasileiras na economia de dados, identificando obstáculos e oportunidades para ampliar o compartilhamento e o uso estratégico de informações no setor produtivo. A pesquisa, conduzida entre fevereiro e março de 2026, ouviu 200 organizações, incluindo 168 empresas — das quais 127 atuam na indústria de transformação — além de 20 entrevistas com altos executivos.
Isabela Gaya, gerente de Difusão de Tecnologias da ABDI, destacou o potencial ainda pouco explorado pelos dados gerados na indústria brasileira. Segundo ela, cerca de 80% dos dados coletados pelas empresas não são utilizados, o que representa uma oportunidade significativa de análise sistêmica da cadeia produtiva e aumento da competitividade. Para isso, ela reforçou a importância de criar ambientes seguros e confiáveis para o compartilhamento de informações.
Uso prático e compartilhamento restrito dos dados
A pesquisa revelou que as empresas brasileiras utilizam dados principalmente para resolver problemas do cotidiano, como melhorar processos internos, reduzir custos e tomar decisões de curto prazo, com menor foco em inovação avançada. Os dados de maior interesse estão relacionados a fornecedores (66%), mercado (59%) e operações (48%), com ênfase em eficiência, benchmarking e inteligência competitiva.
Por outro lado, o compartilhamento de dados ainda é limitado e ocorre de forma seletiva, concentrando-se em informações operacionais e anonimizadas, enquanto dados estratégicos permanecem restritos. Essa postura reflete um ambiente marcado por baixa confiança e alta aversão ao risco, dificultando o uso mais amplo e colaborativo das informações.
Os resultados da pesquisa foram apresentados pelos professores Camila Costa Dutra e Alejandro Frank, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS/NEO). Também participaram do evento representantes de diferentes setores, como Graça Canto Moniz, da Consultoria Futura, que compartilhou experiências da União Europeia para subsidiar a elaboração de uma política de dados adequada ao contexto brasileiro. Além disso, participaram empresários como Marcelo Almeida, da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES), Flávio Maeda, da Associação Brasileira de Internet das Coisas (ABINC), e Rosilda Prates, presidente executiva da P&D Brasil.
Para conferir a íntegra do workshop, acesse este link. O sumário executivo com os principais resultados da tomada de subsídios está disponível em este documento.
Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.








