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Enigma da cadeia alimentar: jacarés não comem capivaras?

Capivaras adultas possuem mecanismos de defesa que podem representar risco ao predador, como dentes incisivos desenvolvidos e porte corporal elevado.

Enigma da cadeia alimentar: jacarés não comem capivaras? – Foto: Reprodução / CNN.

A capivara (Hydrochoerus hydrochaeris) é um roedor silvestre amplamente distribuído no Brasil e em outras regiões da América do Sul. A espécie ocorre tanto em áreas naturais quanto em ambientes modificados pela ação humana, incluindo parques urbanos, lagos artificiais e canais.

Em áreas urbanas, grupos de capivaras utilizam espaços com disponibilidade de água, alimento e abrigo. Em ambientes naturais, a espécie ocupa ecossistemas associados a rios, lagos, represas e áreas alagáveis, sendo comum em regiões próximas a cursos d’água.

Nesses locais, é possível observar capivaras em proximidade com jacarés, mesmo sendo estes predadores naturais presentes no mesmo ambiente. A coexistência entre as duas espécies tem sido registrada por pesquisadores e observadores da fauna.

Jacarés e capivaras: um pacto de não agressão?

A bióloga Elizabeth Congdon, professora da Universidade Bethune-Cookman, nos Estados Unidos, relatou ao site IFLScience ter observado capivaras e jacarés descansando próximos entre si em áreas naturais da Venezuela. Segundo a pesquisadora, registros de jacarés predando capivaras adultas são raros.

De acordo com Congdon, capivaras adultas possuem mecanismos de defesa que podem representar risco ao predador, como dentes incisivos desenvolvidos e porte corporal elevado. Esses fatores tornam a predação menos frequente quando comparada a outras presas disponíveis no ambiente, como peixes.

Filhotes de capivara, no entanto, estão mais sujeitos à predação por jacarés, outros carnívoros e aves de rapina. A sobrevivência da espécie depende, em grande parte, da chegada dos indivíduos à fase adulta, que ocorre entre 10 e 12 meses em ambientes naturais.

A lógica natural: poupar energia e esforço

A menor incidência de ataques a capivaras adultas está associada à estratégia de otimização de energia por parte dos predadores. A escolha das presas depende da relação entre esforço, risco e disponibilidade de alimento no habitat.

Essa interação não configura uma relação de simbiose ou cooperação entre as espécies. A proximidade observada varia conforme a oferta de presas alternativas, o tipo de ambiente e a espécie de crocodiliano presente. Em situações de escassez de alimento, a dinâmica pode se alterar.

Atualmente, a capivara é classificada como espécie de “pouca preocupação” na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), indicando estabilidade populacional em grande parte de sua área de ocorrência.

Fonte: CNN.