Geopolítica

Como a nova tarifa dos EUA pode afetar as exportações do agro brasileiro

O comércio internacional voltou ao centro das atenções do agro brasileiro após mudanças na política tarifária dos Estados Unidos. A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de suspender o chamado tarifaço em vigor desde abril de 2025 levou o governo do presidente Donald Trump a anunciar uma nova configuração de taxas de importação. Na …

Donald Trump e Lula – Foto: Ricardo Stuckert/P.

O comércio internacional voltou ao centro das atenções do agro brasileiro após mudanças na política tarifária dos Estados Unidos. A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de suspender o chamado tarifaço em vigor desde abril de 2025 levou o governo do presidente Donald Trump a anunciar uma nova configuração de taxas de importação.

Na sexta-feira (20/02), a Casa Branca confirmou o fim das cobranças anteriores e formalizou uma tarifa de 10% com abrangência global, prevista para entrar em vigor na terça-feira (24/02). No dia seguinte, o percentual foi elevado para 15%, sob a justificativa de correção de práticas consideradas prejudiciais à economia americana.

Apesar da aplicação generalizada, a nova tarifa pode gerar efeitos distintos para o Brasil. Em entrevista à Globo Rural, Felippe Serigati, pesquisador do Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas, avalia que parte dos produtos agropecuários já havia sido retirada da alíquota anterior de 40%, que, somada aos 10% adicionais, resultava em 50%.

Segundo ele, itens como carne bovina, suco de laranja, café em grão, papel e celulose, que concentram parcela significativa das exportações brasileiras aos Estados Unidos, tendem a registrar impacto limitado com a nova configuração.

Outros segmentos, como pescados, café solúvel e mel, observam possibilidade de retomada de embarques. O pesquisador pondera que o efeito pode ser positivo para esses produtos, embora não represente aumento expressivo nas vendas.

Dados do sistema Agrostat, do Ministério da Agricultura e Pecuária, indicam que, em 2024, o Brasil exportou mais de 30 mil toneladas de pescado aos Estados Unidos. Em 2025, com a vigência das tarifas, o volume foi de 27 mil toneladas.

Para Serigati, o momento exige cautela, já que a legislação americana permite novas alterações tarifárias. Ele observa que diferentes instrumentos legais podem ser utilizados para justificar eventuais mudanças futuras.

Em 2025, os produtos florestais lideraram as exportações brasileiras aos Estados Unidos, com participação superior a 26% do valor arrecadado, seguidos por café e carnes.

O assessor especial do Ministério da Agricultura e Pecuária, Carlos Augustin, afirmou que a aplicação uniforme da tarifa reduz a possibilidade de impactos diferenciados entre países. Segundo ele, a ausência de direcionamento específico ao Brasil mantém as condições de concorrência equivalentes às de outros exportadores.

Augustin esteve nos Estados Unidos na semana anterior para acompanhar a divulgação de dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. De acordo com o assessor, a competitividade do setor produtivo brasileiro foi mencionada em discussões relacionadas ao comércio agrícola.

Fonte: Globo Rural.