
A ideia de uma “estrada de isopor” pode soar inusitada, mas foi justamente o uso de placas de EPS, o poliestireno expandido, que ajudou a antecipar em nove meses a entrega de uma das principais intervenções viárias do Litoral Norte catarinense. A solução foi aplicada na interseção entre a SC-486 e a BR-101, em Itajaí, onde o solo de banhado exigiu alternativa técnica para sustentar o novo complexo viário.
O empreendimento recebeu investimento de R$ 60,4 milhões e inclui dois viadutos, alças de acesso, uma nova ponte sobre o Rio Canhanduba II e melhorias ao longo de cerca de dois quilômetros.
O que é a chamada estrada de isopor
O apelido surgiu porque o EPS, conhecido popularmente como isopor, foi utilizado como aterro leve sob a pista. O material não substitui o asfalto. Ele compõe camadas internas da estrutura, reduzindo o peso sobre o terreno.

Em áreas de solo mole, aterros convencionais podem provocar recalques e deformações. Com o uso do EPS, a carga transmitida ao subsolo é menor, o que diminui a pressão e ajuda a controlar deslocamentos. As placas também facilitam transporte e manuseio no canteiro, contribuindo para o ritmo da obra.
A aplicação foi direcionada a trechos onde o terreno apresenta maior sensibilidade, compatibilizando a estrutura viária com a capacidade de suporte do solo.
Interseção estratégica no Litoral Norte
O entroncamento entre a SC-486, Rodovia Antônio Heil, e a BR-101 concentra tráfego urbano, regional e de longa distância. Caminhões, veículos de passeio e deslocamentos diários se misturam em um dos pontos mais movimentados do estado.
O segundo viaduto do complexo, no sentido Leste, foi liberado em dezembro de 2025. O primeiro, no sentido Oeste, havia sido entregue em novembro do mesmo ano, quando a obra atingiu cerca de 90% de execução. Com as duas estruturas em funcionamento, o fluxo passou a ocorrer de forma mais contínua, reduzindo pontos de conflito.
Além dos elevados, o projeto inclui alças de acesso e a nova ponte sobre o Rio Canhanduba II, elementos que completam o redesenho do tráfego na região.
Prazo encurtado e reflexos na logística
A antecipação de nove meses no cronograma está associada, entre outros fatores, ao uso do aterro leve. Em solos moles, a redução de peso tende a minimizar o tempo necessário para estabilização do terreno e diminuir riscos de retrabalho.
A obra integra o Programa Estrada Boa, voltado à modernização da malha rodoviária catarinense. O impacto é regional, com reflexos para municípios como Itajaí, Brusque e Balneário Camboriú, além de influenciar o escoamento de cargas industriais e agrícolas que utilizam a BR-101 como corredor logístico.
Sob o asfalto, a presença do EPS permanece invisível para quem passa. No entanto, a escolha técnica alterou o comportamento do solo e interferiu diretamente no prazo de entrega e na reorganização de um dos principais acessos do Litoral Norte.
Fonte: Click Petróleo e Gás.








