Atraso

Protestos indígenas e estradas precárias afetam logística da soja no principal porto do Arco Norte

As operações no terminal fluvial de Miritituba (PA), um dos mais estratégicos para o escoamento da soja brasileira, estão sendo impactadas por protestos indígenas e problemas de infraestrutura. O local, que concentra operações de grandes empresas como Cargill e Bunge, enfrenta atrasos logísticos no momento em que a demanda externa pela soja brasileira está em …

As operações no terminal fluvial de Miritituba (PA), um dos mais estratégicos para o escoamento da soja brasileira, estão sendo impactadas por protestos indígenas e problemas de infraestrutura. O local, que concentra operações de grandes empresas como Cargill e Bunge, enfrenta atrasos logísticos no momento em que a demanda externa pela soja brasileira está em alta, favorecida pela disputa comercial entre China e Estados Unidos.

Reprodução/Freepik

Desde o fim de março, manifestantes do povo Munduruku bloqueiam trechos da BR-230, a Transamazônica, nas proximidades do porto. Os bloqueios ocorrem em horários alternados do dia e têm o objetivo de pressionar o Supremo Tribunal Federal contra a legislação do Marco Temporal, que trata dos direitos indígenas sobre suas terras. A mobilização agrava os desafios logísticos da região, onde um trecho de cinco quilômetros da rodovia, conhecido como “Transportuária”, ainda não possui pavimentação adequada.

A Associação Nacional das Empresas de Transporte de Cargas do Brasil (Anatc) informou que os atrasos no trecho comprometem o descarregamento de carretas em até três dias. Estima-se que cada hora de bloqueio impeça o escoamento de até 12 mil toneladas de soja no terminal. A Via Brasil BR-163, responsável pela rodovia que liga o Mato Grosso a Miritituba, afirma que aguarda decisão judicial para desapropriar áreas e construir um novo acesso.

Mesmo com pré-agendamento de caminhoneiros no porto, as tensões entre motoristas e indígenas têm aumentado. De acordo com representantes Munduruku, há relatos de agressões, ameaças e confrontos nas imediações do bloqueio. O setor agrícola teme o agravamento da situação, enquanto entidades indígenas alertam para o risco de novas mobilizações caso avanços legislativos sobre o Marco Temporal avancem no Congresso Nacional.