Grande parte da costa fluminense está ameaçada pelas mudanças climáticas

Estudo da UFF aponta que riscos podem afetar até 60% do litoral do RJ

Rio de Janeiro (RJ), 22/12/2025 - Retrospectiva 2025 - Foto feita em 30/07/2025 – Ressaca no mar traz ondas grandes à praia do Leme, provocadas pela passagem de um ciclone extratropical. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 22/12/2025 – Retrospectiva 2025 – Foto feita em 30/07/2025 – Ressaca no mar traz ondas grandes à praia do Leme, provocadas pela passagem de um ciclone extratropical. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A maior parte da costa do estado do Rio de Janeiro pode ser afetada pelas mudanças climáticas, de acordo com um estudo da Universidade Federal Fluminense (UFF). A pesquisa aponta que 60% do litoral apresenta vulnerabilidades médias a elevadas, indicando riscos de inundações e erosão causadas por ondas.

Conduzido pelo doutorando Igor Rodrigues Henud, sob orientação do professor Abílio Soares, o estudo destaca que soluções naturais, como a restauração de ecossistemas e a ampliação de áreas protegidas, podem ser eficazes no enfrentamento dos impactos climáticos. “O intuito foi mostrar que existem regiões e populações vulneráveis. Só que a vegetação e os habitats naturais, englobando dunas, restingas, manguezais e Mata Atlântica, ainda exercem uma influência positiva nessa proteção e, por isso, eles precisam ser preservados”, afirmou Henud.

O estudo defende a implementação de soluções baseadas na natureza (NbS, na sigla em inglês) como estratégia mais eficaz para lidar com os desafios das mudanças climáticas. Essas ações envolvem a restauração de ecossistemas, o manejo adaptativo do território e a proteção de habitats naturais, que além de reduzir riscos, promovem melhorias na qualidade da água, mitigam poluentes atmosféricos e aumentam a resiliência a desastres.

Henud ressaltou que essas soluções “são ecologicamente sensíveis, economicamente viáveis e sustentáveis no longo prazo”, em contraste com infraestruturas convencionais. Os pesquisadores também defendem a proteção de habitats costeiros, considerados ecossistemas estratégicos, mesmo que ainda não estejam sob preservação oficial, pois podem contribuir para aumentar a resiliência climática.

A pesquisa aponta impactos já observados no litoral fluminense, como ressacas mais frequentes, tempestades intensas e a elevação do nível do mar. Segundo o estudo, as regiões do Norte Fluminense e das Baixadas Litorâneas, também conhecidas como Região dos Lagos, estão mais vulneráveis às mudanças climáticas. Nesses locais, fatores naturais combinados à fragmentação de habitats, como a remoção de restingas e manguezais, elevam o risco de desastres.

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores utilizaram uma metodologia desenvolvida por uma universidade dos Estados Unidos, que integra variáveis ambientais e socioeconômicas. Foram coletados dados sobre ventos, ondas, profundidade dos oceanos, vegetação e plataforma continental, inseridos em um software que simula processos naturais. “A supressão contínua de habitats naturais intensifica os riscos ambientais e aumenta a exposição do Rio de Janeiro a desastres de maior magnitude no futuro”, explicou Henud.

Ele exemplificou: “Se a vegetação próxima à praia, como restinga, manguezal e Mata Atlântica, estiver presente, ela ajuda a perder força ao impacto das ondas, oferecendo proteção natural.” Com cerca de 1.160 quilômetros de extensão, a zona costeira do estado abriga 33 municípios e concentra aproximadamente 83% da população, sendo uma região sensível e fundamental para o desenvolvimento socioeconômico.

Maior risco

No entanto, a área enfrenta pressões crescentes devido à urbanização desordenada, ao turismo de massa e à exploração econômica intensiva, fatores que aceleram a degradação ambiental e comprometem a capacidade de resposta a eventos extremos. Para Henud, quanto mais vegetação na linha de costa, maior será a proteção contra os efeitos das ondas. Embora não seja possível alterar a força do mar ou o relevo, é viável modificar o local onde populações vulneráveis estão situadas. Assim, soluções baseadas na natureza representam uma estratégia para minimizar os impactos das mudanças climáticas.

De acordo com o estudo, as duas regiões que estão mais propensas a sofrer impactos das mudanças do clima são o Norte Fluminense e as Baixadas Litorâneas, também conhecidas como Região dos Lagos.

Nessas regiões, características naturais como ventos, ondas e relevo se somam à fragmentação de habitats costeiros, como a remoção de restingas e manguezais, o que aumenta significativamente o alto risco dessas áreas.

Henud e o professor Abílio Simões chegaram a essa conclusão utilizando metodologia desenvolvida por uma universidade nos Estados Unidos, que reúne variáveis ambientais e socioeconômicas.

Foram coletadas várias informações, como dados da Marinha sobre ventos e ondas, dados globais de profundidade dos oceanos, dados de plataforma continental e de vegetação, inseridas depois no software InVEST, que simula o que acontece naturalmente, informou Henud.

Os resultados indicam que a supressão contínua de habitats naturais intensifica os riscos ambientais e amplia a exposição do estado do Rio de Janeiro a desastres de maior magnitude no futuro.

“Por exemplo, se a gente falar de restinga, de manguezal e de Mata Atlântica, se a gente tem essa vegetação próxima da praia, se uma onda bater nessas regiões, ela perde força. Então, geram uma proteção, sim”, explicou o doutorando.

Fatores

Com cerca de 1.160 quilômetros de extensão, a zona costeira fluminense abriga 33 municípios e concentra aproximadamente 83% da população do estado, configurando-se como um território ao mesmo tempo sensível e fundamental para o desenvolvimento socioeconômico.

Essa faixa enfrenta pressão crescente da urbanização desordenada, do turismo de massa e da exploração econômica intensiva, fatores que aceleram a degradação ambiental e comprometem a capacidade de resposta aos eventos extremos.

Por isso, é preciso pensar no fator da proteção porque, quanto mais vegetação houver, maior vai ser a proteção que se vai ter na linha de costa, reforçou. Ele esclarece que não se conseguirá alterar a força das ondas ou o relevo, mas é possível alterar o local onde aquelas populações que estão vulneráveis vão se localizar. A adoção de soluções baseadas na natureza é a maneira de minimizar o impacto das mudanças climáticas, conclui.

Soluções cinzas e verdes

Henud explica ainda que a mitigação das consequências das mudanças climáticas conta com diferentes ferramentas, e algumas soluções foram denominadas soluções cinzas e outras, de soluções verdes.

As soluções cinzas envolvem posicionar grandes pedras na região costeira ou construir muros com concreto, por exemplo. Pode-se ainda colocar sacos de cimento ou de areia para diminuir a intensidade das ondas, ou construir recifes artificiais.

“O cinza vem do concreto, da parte mais urbana”.

As verdes, por sua vez, priorizam o reflorestamento, ou seja, usar a natureza em benefício do ser humano e da própria natureza.

Fonte: Agência Brasil