
Os Estados Unidos anunciaram, recentemente, a mudança de suas diretrizes alimentares federais, marcando uma inflexão relevante na forma como a alimentação passa a ser orientada no país. Após décadas baseadas em um modelo nutricional formulado nos anos 1990, o governo americano revisou oficialmente sua política alimentar, colocando maior ênfase no consumo de alimentos integrais e no protagonismo das proteínas de alta qualidade, incluindo a carne.
A atualização foi apresentada pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) em conjunto com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Os fundamentos da nova diretriz estão detalhados no site oficial Real Food, criado para comunicar os princípios que norteiam essa reformulação.
Crise de saúde pública impulsiona a mudança
Segundo o governo dos EUA, a revisão responde a um cenário preocupante de saúde pública. O país enfrenta taxas elevadas de doenças crônicas relacionadas à alimentação, como obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Esse contexto levou à reavaliação do modelo alimentar adotado desde 1992, período em que a pirâmide alimentar priorizava o alto consumo de carboidratos e coincidiu com a expansão dos alimentos ultraprocessados na dieta da população.
De acordo com o site Real Food, o objetivo da nova política é recolocar a chamada “comida de verdade” no centro das refeições, incentivando padrões alimentares baseados em alimentos reconhecíveis, minimamente processados e nutricionalmente densos.
Proteínas como base das refeições
Um dos pontos centrais da nova diretriz é a recomendação de que as refeições priorizem proteínas de alta qualidade, combinadas com gorduras saudáveis provenientes de alimentos integrais. O site oficial cita fontes de origem animal e vegetal, como carnes, ovos, frutos do mar, laticínios integrais, nozes, sementes, azeitonas e abacates.
Segundo o governo americano, proteínas e vegetais formam a base das refeições por contribuírem para a saúde muscular, o equilíbrio metabólico, a saúde intestinal e níveis mais estáveis de energia, além de favorecerem a substituição natural de alimentos ultraprocessados. A meta diária de proteína passou a ser de aproximadamente 1,2 a 1,6 grama por quilo de peso corporal, rompendo com décadas de recomendações centradas nos carboidratos.
O que o governo chama de “comida de verdade”
Outro conceito-chave da nova diretriz é o de “real food”, ou “comida de verdade”. A orientação é priorizar alimentos integrais ou minimamente processados, reconhecíveis como comida, preparados com poucos ingredientes e sem adição de açúcares, óleos industriais, aromatizantes artificiais ou conservantes.
Nesse contexto, a carne é apresentada como um alimento alinhado a esse conceito, por sua alta densidade nutricional, por fornecer proteínas completas e por conter micronutrientes essenciais.
Carne como parte da solução nutricional
Ao incluir explicitamente a carne entre as fontes prioritárias de proteína e gordura saudável, as novas diretrizes reposicionam o debate nutricional nos Estados Unidos. O foco passa a ser a qualidade dos alimentos, sua densidade nutricional e o menor grau de processamento, em vez de abordagens baseadas apenas em macronutrientes isolados. A mudança sinaliza um novo paradigma alimentar, com potencial impacto sobre políticas públicas, programas de alimentação institucional e discussões internacionais sobre saúde e nutrição.








