Empreendedorismo

Menino de 6 anos cria negócio de ovos para não sair da escola

José passou a cuidar das galinhas, acompanhar a produção e organizar o trabalho de forma simples e eficiente.

Foto: Reprodução.

Com apenas 6 anos, José Pedro Pereira transformou galinhas no quintal da avó em um negócio de ovos estruturado, assumiu uma rotina de produção diária e surpreendeu a própria família ao lidar, com maturidade incomum, com uma responsabilidade que muitos adultos evitam. A iniciativa nasceu em Gaspar, no Vale do Itajaí, e teve impacto direto na continuidade dos estudos do menino e na estabilidade financeira da casa.

A história começou quando a família enfrentou dificuldades financeiras e passou a considerar a possibilidade de José deixar a escola particular onde sempre estudou. Ao perceber que o problema poderia afetar seu futuro escolar, o menino decidiu agir por conta própria.

Em vez de esperar uma solução externa, pediu algumas galinhas à avó e começou a vender ovos no bairro. O que parecia uma ideia simples ganhou forma, método e constância. A atividade passou a gerar renda real e ajudou a viabilizar a rematrícula escolar, além de reforçar valores como responsabilidade e compromisso dentro de casa.

Iniciativa infantil diante da dificuldade financeira

O aperto no orçamento foi o ponto de partida. Enquanto a família avaliava despesas, José não reagiu com medo ou passividade. Com apoio dos adultos, mas por decisão própria, apresentou uma proposta concreta. O protagonismo infantil é um dos aspectos que mais chamam atenção na trajetória.

Ao pedir as galinhas à avó, o menino transformou um desafio financeiro em um projeto contínuo, com objetivo claro e rotina definida. Não se tratava de uma ajuda pontual, e sim de uma atividade pensada para gerar resultado ao longo do tempo.

Do quintal ao negócio de ovos no bairro

No bairro Arraial do Ouro, em Gaspar, o improviso virou processo. José passou a cuidar das galinhas, acompanhar a produção e organizar o trabalho de forma simples e eficiente. Os ovos são coletados duas vezes por dia, separados por qualidade, organizados em dúzias, rotulados e entregues a clientes que voltam a comprar com frequência.

Com o aumento do número de aves, o negócio ganhou identidade própria. “Zé dos Ovos”, que começou como apelido, tornou-se uma marca conhecida entre moradores da região. A clientela cresceu primeiro entre familiares e depois no bairro, mostrando que disciplina diária e padrão de entrega criam confiança, mesmo em um empreendimento de pequena escala.

Apoio familiar sem tirar o protagonismo do menino

A família teve papel fundamental no desenvolvimento da iniciativa, sem apagar a liderança de José. A mãe, Vamila dos Santos Pereira, conta que a ideia surgiu como uma forma de ensinar valores, mas rapidamente superou as expectativas e se consolidou como um compromisso real.

A avó, Tereza dos Santos, de 81 anos, também foi decisiva. Foi ela quem cedeu as primeiras galinhas e acompanha de perto a rotina do neto. A união entre gerações transformou cuidado em oportunidade, somando experiência e disposição para manter o projeto funcionando no dia a dia.

Renda, escola garantida e maturidade precoce

O resultado mais direto apareceu onde tudo começou: na escola. Com a renda obtida com a venda dos ovos, a família conseguiu garantir a rematrícula de José. O menino permaneceu estudando, exatamente como desejava, e o negócio cumpriu o objetivo que motivou sua criação.

Além do valor financeiro, a experiência trouxe aprendizado prático. José concilia a rotina escolar com as responsabilidades da produção, entende que cada etapa faz diferença e percebe a ligação entre trabalho bem-feito e resultado. A maturidade chama atenção por surgir de um contexto real, longe de discursos teóricos.

Redes sociais ampliam visibilidade do “Zé dos Ovos”

Foto: Reprodução.

A iniciativa ultrapassou os limites do bairro e ganhou espaço nas redes sociais. A rotina de produção passou a ser compartilhada online, e o perfil do menino já soma mais de mil seguidores. A visibilidade atraiu novos interessados e reforçou a história como exemplo de empreendedorismo infantil conectado à realidade familiar.

Mesmo com o aumento da audiência, a essência permanece a mesma. A rotina segue baseada na escola, no cuidado com o galinheiro, na colheita, na organização e na venda dos ovos. Não há atalhos, apenas constância, apoio familiar e objetivos bem definidos.

A trajetória de José Pedro Pereira mostra que responsabilidade não depende apenas da idade. Com contexto, orientação e espaço para agir, uma criança pode identificar um problema, transformar intenção em rotina e alcançar resultados concretos, como renda, continuidade escolar e fortalecimento dos laços familiares em Gaspar, no Vale do Itajaí.

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Fonte: Click Petróleo e Gás.