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Tomates sem terra e em escala semanal surpreendem na agricultura dos Países Baixos

Em operações de grande porte, complexos de estufas conseguem atingir volumes próximos de 1 milhão de quilos de tomate por semana, resultado da combinação entre tecnologia, manejo intensivo e uso eficiente do espaço.

Foto: Reprodução.

A produção de tomate nos Países Baixos ocorre em grande parte dentro de estufas que utilizam cultivo sem solo e sistemas de controle de água, nutrientes e clima. O modelo permite produzir grandes volumes em áreas limitadas, com colheita distribuída ao longo do ano.

Em operações de grande porte, complexos de estufas conseguem atingir volumes próximos de 1 milhão de quilos de tomate por semana, resultado da combinação entre tecnologia, manejo intensivo e uso eficiente do espaço.

Cultivo sem solo muda a base da produção

Nas estufas neerlandesas, os tomates não crescem diretamente no solo. As plantas são cultivadas em substratos, como lã de rocha ou outros materiais que funcionam como suporte para as raízes.

Nesse sistema, água e nutrientes são fornecidos de forma controlada por meio de soluções nutritivas. O método permite ajustar a quantidade de insumos aplicada às plantas e reduzir perdas.

O controle do ambiente também envolve fatores como temperatura, umidade e ventilação dentro das estufas, criando condições mais estáveis para o desenvolvimento da cultura.

Produtividade elevada por área

Estudos ligados à Universidade de Wageningen apontam que a produção média de tomate em estufas do país pode alcançar cerca de 46,8 quilos por metro quadrado ao ano.

Dados do órgão oficial de estatísticas dos Países Baixos indicam números semelhantes. Em 2024, o país registrou:

  • 828,5 milhões de quilos de tomate colhidos
  • 1.726 hectares de área cultivada

Essa relação corresponde a aproximadamente 48 quilos por metro quadrado ao ano, índice que ajuda a explicar a produtividade observada nas estufas do país.

Escala semanal em grandes complexos

A produção de 1 milhão de quilos por semana pode ocorrer em operações com grande área de estufas.

Se considerado um rendimento semanal próximo de 3,7 quilos por metro quadrado, seriam necessários cerca de 270 mil metros quadrados de estufas, o equivalente a aproximadamente 27 hectares em produção.

Esse tamanho de estrutura está dentro da realidade de polos de horticultura protegida existentes no país.

Controle de água e nutrientes

A produção em estufas depende de sistemas que monitoram e ajustam continuamente o ambiente de cultivo. Entre as práticas utilizadas estão:

  • irrigação com solução nutritiva aplicada diretamente às raízes
  • reaproveitamento da água drenada após filtragem
  • monitoramento de temperatura e umidade do ambiente
  • controle da luminosidade dentro das estufas

O objetivo é manter a planta em condições constantes de crescimento e produção ao longo do ciclo.

Agricultura intensiva em espaço limitado

Com território reduzido, os Países Baixos desenvolveram sistemas que priorizam produtividade por área e estabilidade da produção. O cultivo protegido permite reduzir a dependência de condições climáticas externas e organizar a colheita ao longo do calendário.

A combinação entre estufas, cultivo sem solo e controle de insumos transformou a horticultura do país em referência internacional em produção intensiva de tomate.

Fonte: Click Petróleo e Gás.