
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), ações voltadas à eletrificação dos processos produtivos, ao aumento do uso de biocombustíveis, à inovação tecnológica e à promoção da economia circular estão entre as diretrizes apresentadas no Plano Setorial da Indústria. O documento foi elaborado pelo ministério como contribuição ao Plano Clima do governo federal, lançado na segunda-feira (16/3).
De acordo com o MDIC, a elaboração do Plano Setorial foi coordenada pela Secretaria de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria (SEV). O documento estabelece metas concretas para a redução de emissões de gases de efeito estufa, prevendo um limite de 198 milhões de toneladas de CO₂ equivalente até 2030, além de diretrizes para uma transição industrial sustentável, alinhada ao Acordo de Paris e às metas climáticas nacionais.
Segundo o ministro Geraldo Alckmin, a iniciativa representa um avanço importante no enfrentamento às mudanças climáticas. “O Brasil deu um passo decisivo no enfrentamento das mudanças climáticas com o lançamento do Plano Clima, principal instrumento de planejamento para a próxima década”, afirmou. Ele destacou ainda que um dos principais eixos para a redução das emissões de carbono no país está na indústria, setor estratégico tanto pelo peso econômico quanto pelo impacto ambiental.
O documento também estabelece metas de emissões até 2035 e reforça instrumentos voltados à descarbonização, prevendo que a participação de fontes renováveis no consumo total da indústria seja superior a 65% nos próximos dez anos.
Dados do MDIC indicam que a indústria brasileira responde por 24,7% do PIB, gera aproximadamente 11,5 milhões de empregos e registrou US$ 188,4 bilhões em exportações de bens em 2025, sendo fundamental tanto para o crescimento econômico quanto para o cumprimento das metas ambientais do país.
O Plano Clima enfatiza a importância de uma transição justa, com geração de empregos de qualidade, inclusão produtiva e redução das desigualdades regionais, além de destacar a necessidade de maior participação das mulheres na agenda de transformação ecológica.
Segundo Júlia Cruz, secretária da SEV, o governo busca alinhar a agenda climática à neoindustrialização, promovendo crescimento econômico, justiça social e sustentabilidade em um cenário global cada vez mais orientado pela economia de baixo carbono.
Complementar ao Plano Clima, o MDIC coordena a elaboração da Estratégia Nacional de Descarbonização Industrial (ENDI), que visa estruturar instrumentos, políticas e ações necessárias para facilitar essa transição. A ENDI concentra esforços especialmente nos setores de alto consumo energético — como cimento, aço, químicos, vidro e papel e celulose — que representam maior participação nas emissões industriais e enfrentam desafios tecnológicos mais complexos para a descarbonização. Segundo o ministério, a ENDI está em fase final de consolidação das contribuições recebidas durante o processo de Consulta Pública.
De acordo com o MDIC, a agenda de descarbonização da indústria brasileira está alinhada à Nova Industrialização Brasileira (NIB), estratégia que busca modernizar e fortalecer o setor industrial do país.
O Plano Setorial da Indústria e a ENDI são considerados instrumentos essenciais para essa modernização, estabelecendo metas concretas para a redução de emissões de gases de efeito estufa, aumento da eficiência energética e estímulo ao uso de energias renováveis.
Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.








