
Crédito rural empresarial movimenta R$ 477,2 bilhões na safra 2025/2026
Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, foram divulgados nesta sexta-feira (10/07) os dados consolidados do crédito rural direcionado à agricultura empresarial para a safra 2025/2026, que compreende o período de julho de 2025 a junho de 2026.
O volume concedido no período alcançou R$ 477,2 bilhões, considerando as operações destinadas à agricultura empresarial, sem incluir os financiamentos contratados no âmbito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Os números são provisórios e foram extraídos do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), do Banco Central, em 3 de julho de 2026.
A Cédula de Produto Rural (CPR) foi o principal instrumento de captação do setor, com R$ 205,2 bilhões contratados, equivalentes a 43% de todo o crédito concedido. Em seguida aparecem as operações convencionais de custeio, que movimentaram R$ 150,3 bilhões e representaram 31,5% do total.
Somadas, as operações de CPR e custeio alcançaram R$ 355,5 bilhões, correspondendo a 74,5% dos recursos utilizados para financiar a produção agropecuária empresarial durante a safra.
Investimentos recebem R$ 50,5 bilhões
As operações destinadas a investimentos totalizaram R$ 50,5 bilhões. Entre os programas específicos, os maiores volumes foram registrados pelo Pronamp, com R$ 5,2 bilhões, e pelo RenovAgro, também com aproximadamente R$ 5,2 bilhões.
O Moderfrota, voltado principalmente à aquisição e modernização de máquinas agrícolas, registrou R$ 4,2 bilhões em aplicações. Já o Inovagro, somado ao Moderagro, movimentou R$ 3,9 bilhões, enquanto o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) alcançou R$ 3,2 bilhões.
Segundo o boletim, a contratação dos investimentos ocorreu em um cenário marcado por juros elevados, instabilidade internacional, aumento da inadimplência, custos de produção, riscos climáticos e maior seletividade das instituições financeiras na liberação dos recursos.
Além dos investimentos, foram destinados R$ 37,9 bilhões à comercialização e R$ 33,3 bilhões à industrialização. Os recursos para industrialização ficaram concentrados no segmento empresarial formado por médios e grandes produtores, cooperativas e demais agentes das cadeias agroindustriais.
Mais de 534 mil contratos foram registrados
A agricultura empresarial contabilizou 534.828 contratos de crédito rural durante a safra 2025/2026. Desse total, 161.968 foram operações realizadas por meio de CPR.
O custeio respondeu por 263.896 contratos, dos quais 181.918 foram contratados por produtores enquadrados no Pronamp. Nas operações de investimento, foram registrados 97.105 contratos.
O Pronamp movimentou, no total, R$ 61,5 bilhões em concessões, o equivalente a 12,9% do crédito rural empresarial contabilizado no período.
Sul lidera em volume de recursos
Sem considerar as CPRs, a Região Sul liderou a contratação de crédito rural, com R$ 81,2 bilhões distribuídos por meio de 146.956 contratos. Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina responderam, respectivamente, por 49%, 33% e 18% desse montante regional.
O Sudeste registrou R$ 75,9 bilhões, enquanto o Centro-Oeste alcançou R$ 75,8 bilhões. Apesar de aparecer na terceira posição em valor, o Centro-Oeste apresentou o maior tíquete médio por operação, de aproximadamente R$ 1,19 milhão.
No Nordeste, as concessões chegaram a R$ 21,7 bilhões, distribuídas em 29.738 contratos. A Bahia concentrou 47% dos recursos da região, seguida pelo Maranhão, com 19%, e pelo Piauí, com 11%.
A Região Norte registrou R$ 17,5 bilhões em operações, com Tocantins, Pará e Rondônia concentrando a maior parte das contratações.
Recursos equalizáveis atingem R$ 53,6 bilhões
Os recursos equalizáveis, nos quais o governo cobre parte dos custos financeiros para reduzir os juros cobrados dos produtores, somaram R$ 53,6 bilhões. O valor corresponde a 58,6% da programação final de R$ 91,4 bilhões prevista para a safra.
Do total concedido, R$ 28,4 bilhões foram direcionados ao custeio, R$ 24,5 bilhões aos investimentos e R$ 663 milhões à comercialização.
Nas operações equalizáveis de investimento, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Banco do Brasil concentraram cerca de 74% das concessões, com R$ 9,3 bilhões e R$ 8,9 bilhões, respectivamente.
Já no custeio e na comercialização, as maiores participações foram registradas pelo Sicoob, com 27%; Sicredi, com 23%; e Banco do Brasil, com 21%.
Entre as fontes privadas de financiamento, destacaram-se a Letra de Crédito do Agronegócio Livre, com R$ 67,1 bilhões, e a Poupança Rural Livre, com R$ 63,2 bilhões. Entre as fontes controladas, os recursos obrigatórios lideraram, com R$ 53,9 bilhões.
Em razão do período de defeso eleitoral, o boletim não apresenta comparações com safras anteriores, restringindo-se à divulgação dos valores absolutos registrados entre julho de 2025 e junho de 2026.
Mais informações podem ser acessadas no documento oficial disponível no site do Ministério da Agricultura e Pecuária.
Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária.








