Curiosidades

Árvore milenar na África “ruge” ao toque do vento e armazena até 4.500 litros de água

O baobá de aproximadamente 2.000 anos na vila de Zwigodini, conhecido como “A Árvore que Ruge”, desempenha papel vital ao abrigar fauna, armazenar água e manter importantes tradições culturais.

Baobá milenar na vila de Zwigodini, na África do Sul, é conhecido pelo povo Venda como “A Árvore que Ruge” Imagem: Reprodução/@Rainmaker1973
Baobá milenar na vila de Zwigodini, na África do Sul, é conhecido pelo povo Venda como “A Árvore que Ruge” – Foto: Reprodução/@Rainmaker1973.

Na vila de Zwigodini, localizada no distrito de Mutale, na província de Limpopo, ergue-se um baobá com cerca de 2.000 anos de idade. Popularmente chamado de “Muri Kunguluwa” pelos Venda, expressão que significa “A Árvore que Ruge”, a árvore é uma fonte de vida para a comunidade e a fauna da região, que depende de seus recursos naturais.

O som que dá nome à árvore e seu significado espiritual para os Venda

O apelido “A Árvore que Ruge” não é apenas uma metáfora: a árvore realmente emite um som alto e estrondoso quando o vento passa por seus galhos, um fenômeno acústico raro que contribui para sua reverência entre os moradores locais. Essa característica sonora é a origem do nome pelo qual ela é conhecida e venerada.

Além de seu nome sonoro, o baobá também é considerado uma “Árvore da Vida”, devido à sua importância como fonte de alimento, água e abrigo para diversos animais e humanos na região.

Para os povos africanos, a árvore possui um forte significado espiritual. Antigamente, líderes e anciãos se reuniam sob seus galhos para discutir assuntos importantes, acreditando que a árvore ajudava na tomada de decisões sábias por seu espírito guardião.

O tronco que armazena água e sustenta a vida na seca

Um aspecto marcante do baobá de Zwigodini é sua capacidade de armazenar água em seu interior: aproximadamente 80% do volume do tronco é constituído por líquido, podendo reter até 4.500 litros de água.

Essa reserva de água transforma o baobá em um recurso vital, especialmente durante períodos de estiagem, quando outras fontes de água se tornam escassas, beneficiando tanto a comunidade quanto os animais selvagens.

Um ecossistema completo na copa e no tronco

A árvore é um centro de biodiversidade: elefantes roem sua casca em busca de água e nutrientes, enquanto babuínos se alimentam de seus frutos. As folhas também são consumidas por diversas espécies, completando o papel ecológico do baobá.

No topo dos galhos, aves, morcegos frugívoros, abelhas e outros pequenos animais encontram abrigo, nidificando na copa imponente da árvore.

Os recursos do baobá também são utilizados pelos humanos: frutos secos são transformados em bebidas nutritivas, enquanto a casca é aproveitada na fabricação de cordas, cestos, tecidos e papel.

Mais do que uma árvore, o baobá de Zwigodini representa uma síntese de funções ecológicas, culturais e espirituais, sendo considerado um patrimônio vivo que sustenta comunidades há gerações.