
A gordura bovina, subproduto do processamento de carne, pode ser reaproveitada antes de seu descarte. Na indústria de sabonetes, ela é utilizada como matéria-prima para a fabricação de produtos de higiene pessoal, por meio de processos que envolvem tecnologia, inovação e economia circular.
A transformação ocorre em uma unidade da Flora, especializada na produção de sabonetes em barra para marcas próprias, como Francis e Albany, além de atender outras empresas do setor.
De acordo com Bruno Marques, gerente de produção da Flora, a fábrica está entre as maiores do segmento de terceirização no Brasil.
“Atuamos no mercado de terceirização, produzindo marcas próprias, como Francis e Albany, além de fornecer para grandes empresas do setor de sabonetes. Nossa unidade é uma das maiores do segmento no país”, afirma.
A gordura bovina é uma das principais matérias-primas na produção de sabonetes, proveniente da cadeia produtiva da carne e submetida a diversos processos antes de se transformar na base do produto. A fábrica também utiliza matérias-primas de origem vegetal, como óleo e estearina de palma.
Como é produzido o sabonete?
Etapas físicas
Segundo Marques, a gordura passa por processos físicos de filtração, aquecimento e aplicação de vácuo, com o objetivo de remover pigmentação e odores, resultando em uma gordura branqueada e adequada para uso na fabricação.
Etapas químicas
Na sequência, ocorre uma reação química que converte os ácidos graxos da gordura em uma base de sabão, dando início às características do sabonete.
Após essa etapa, ingredientes como fragrâncias, extratos e corantes são incorporados à formulação. O produto segue então para conformação, estampagem e embalagem, até atingir o formato final.

Resíduos
De acordo com Marques, aproximadamente 90% dos resíduos gerados na fábrica de sabonetes são reaproveitados por meio de reciclagem ou compostagem.
Segundo Thuany Ranieri, diretora da JBS Ambiental, cerca de 99% dos resíduos da cadeia do bovino são reaproveitados, integrando uma estratégia de aproveitamento de subprodutos.
O modelo busca substituir a lógica linear de extrair, produzir, consumir e descartar por um sistema que promove a reutilização de materiais e sua reinserção na cadeia produtiva.
Economia circular
A conversão de subprodutos em novos produtos demanda investimentos em tecnologia e pesquisa. A fábrica mantém um laboratório dedicado ao desenvolvimento de formulações e inovação de soluções para o mercado.
“Na economia linear, extrai-se um recurso, produz-se, consome-se e descarta-se”, explica Thuany Ranieri. “A economia circular permite reutilizar, repensar, transformar e reciclar, retornando materiais à cadeia antes do descarte.”
A estratégia visa identificar aplicações que devolvam valor aos materiais, evitando que sejam considerados resíduos finais.
No caso da gordura bovina, essa transformação resulta em um produto utilizado na rotina de milhões de consumidores. O subproduto da carne passa por processos físicos e químicos, recebe novos ingredientes e se transforma em sabonete pronto para comercialização.
Fonte: Planeta Campo.









