
A economia circular tem ganhado destaque na indústria ao propor um modelo em que resíduos e subprodutos retornam à cadeia produtiva, minimizando desperdícios e o uso de matérias-primas virgens. Na JBS Ambiental, essa abordagem é aplicada desde a coleta até o desenvolvimento de novos produtos.
A empresa conta com 23 unidades de coleta e pré-processamento distribuídas por cinco estados brasileiros: São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná. Segundo o gerente industrial da JBS Ambiental, Adauto Romano, essas unidades gerenciam aproximadamente 34 mil toneladas de resíduos sólidos.
“Todo papelão e metal são prensados e revendidos. Realizamos processos de lavagem e prensagem desses materiais, que são enviados à matriz para reprocessamento”, explica o procedimento.
“Na cadeia do gado, 99% de tudo que é gerado dentro de um frigorífico é reaproveitado de alguma forma. Na cadeia circular, transformamos subprodutos em produtos de alto valor agregado, buscando também não prejudicar o meio ambiente”, destaca.
Plástico retorna à cadeia produtiva
Conforme Romano, no ano passado, a unidade de Lins reciclou e reprocessou 7,6 mil toneladas de plástico, volume 51% superior ao do ano anterior. O material é recebido das unidades da empresa, além de aparistas, cooperativas e parceiros.
Na fábrica, os resíduos são classificados por tipo de plástico, lavados e secos. Depois, passam por processos de transformação, incluindo extrusão, para a produção de resina reciclada.
A matéria-prima reciclada é utilizada na fabricação de diversos produtos, como sacos de lixo, filmes plásticos para embalagens, capas de couro para curtumes e componentes utilizados no transporte de aves pela Seara.
Aproximadamente 80% dos materiais produzidos são destinados às empresas do grupo, enquanto os 20% restantes são comercializados para novos clientes.
De acordo com a diretora da JBS Ambiental, Thuany Ranieri, um exemplo é o “piso verde”, desenvolvido a partir de um plástico de barreira considerado de difícil reciclagem pelos métodos convencionais.
O desenvolvimento do piso levou mais de dois anos de estudos. O material já foi utilizado em mais de 50 lojas da Swift, totalizando cerca de 7 mil metros quadrados de piso instalado.
Resíduos como matéria-prima
A estratégia da JBS Ambiental busca alternativas para materiais que poderiam ser descartados. Em vez de considerados resíduos, esses materiais são tratados como matéria-prima para novos processos industriais.
Esse modelo também ajuda a reduzir a exposição da indústria às oscilações de preço e disponibilidade de matérias-primas convencionais. Durante períodos de alta nos custos de insumos para plástico, a utilização de material reciclado permitiu abastecer indústrias que enfrentavam dificuldades de acesso à matéria-prima.
A lógica é substituir parte dos recursos naturais utilizados na fabricação de novos materiais por insumos que já passaram por um ciclo produtivo.
Cooperativas fazem parte da cadeia
A economia circular adotada pela empresa também envolve agentes externos, como cooperativas de reciclagem e aparistas, que fornecem materiais utilizados no processo de transformação.
Segundo a JBS Ambiental, a companhia compra matérias-primas dessas organizações e remunera conforme os valores de mercado. Essa estratégia visa manter a coleta seletiva e ampliar a circulação de materiais recicláveis.
O processo também envolve o pré-processamento realizado nas unidades espalhadas pelo país. Os materiais coletados são preparados localmente e posteriormente encaminhados à matriz para as etapas seguintes de reciclagem e transformação.
Fonte: Planeta Campo.








