
A Áustria direciona parte de sua busca por trabalhadores qualificados ao Brasil, com ações de recrutamento voltadas a profissionais de fora da União Europeia e oportunidades em ocupações reconhecidas como escassas no país.
A Câmara Federal de Economia da Áustria, conhecida pela sigla WKÖ, inclui brasileiros entre os públicos prioritários de sua estratégia, que também abrange Albânia, Indonésia, Kosovo, México e Filipinas.
De acordo com a entidade, 78% das empresas austríacas enfrentam dificuldades relacionadas à falta de mão de obra ou profissionais qualificados, devido ao envelhecimento da população e à redução prevista na força de trabalho.
A iniciativa já realizou eventos no Brasil, com representantes da Work in Austria e da campanha Your Future Made in Austria, atendendo profissionais interessados em carreiras no país, especialmente aqueles com qualificação técnica e experiência comprovada.
Setores com oportunidades de trabalho incluem construção, saúde e engenharia.
A lista austríaca de ocupações em escassez contempla 64 grupos profissionais, abrangendo setores além da tecnologia, como enfermagem, assistência de enfermagem, eletricistas, técnicos de engenharia, trabalhadores de concreto, pavimentadores e especialistas em infraestrutura.

Na construção civil, há demanda por funções relacionadas à supervisão de obras, estruturas metálicas, estradas, projetos BIM, pavimentação e concreto, com variações regionais na procura por pedreiros, incluindo Caríntia, Baixa Áustria, Salzburgo, Tirol e Vorarlberg.
Na engenharia, há demanda por profissionais de mecânica, eletricidade, energia, automação, manutenção e projetos, além de engenheiros civis em regiões específicas do país.
Na saúde, há escassez de enfermeiros diplomados e assistentes de enfermagem, sendo necessário o reconhecimento formal da qualificação obtida no exterior antes do exercício da profissão.
A estratégia também inclui profissionais de tecnologia da informação, mecânicos, carpinteiros e cozinheiros, com requisitos específicos de formação, idioma, experiência e localização para cada vaga.
A oferta de emprego é condição para obtenção do visto.
Estar em uma profissão listada não garante automaticamente o direito de residir e trabalhar na Áustria; o candidato deve encontrar uma empresa interessada e cumprir as regras migratórias aplicáveis a cidadãos de países terceiros.
Uma das opções é a Red-White-Red Card para ocupações em escassez, destinada a trabalhadores com qualificação compatível e proposta vinculante de um empregador austríaco.
O processo exige pelo menos 55 pontos, calculados com base na formação, experiência profissional, domínio de idiomas e idade, além de remuneração compatível com o mínimo legal ou convenção coletiva.
O Serviço Público de Emprego da Áustria avalia os pontos, os documentos profissionais e o salário oferecido, enquanto a autoridade migratória decide sobre a emissão do visto, geralmente válido por 24 meses e vinculado ao empregador.
Para profissões regulamentadas, como na área da saúde, o reconhecimento do diploma é obrigatório; para outras ocupações, a qualificação pode ser avaliada por documentos apresentados pelo candidato e pelo empregador.
O Brasil faz parte da política de recrutamento direcionado.
A inclusão do Brasil como país foco permite que entidades austríacas concentrem ações de informação e recrutamento no mercado brasileiro, embora seja necessário disputar vagas e cumprir requisitos.
Este movimento também é observado na contratação de estrangeiros na Suíça, onde a escassez de profissionais abre oportunidades, mantendo regras de imigração e validação profissional.
Outros países adotaram processos semelhantes, criando vistos específicos para profissionais estrangeiros, com requisitos variáveis conforme setor, renda, experiência e legislação local.
A lista de ocupações em escassez é atualizada por regulamento e pode incluir profissões nacionais ou regionais; portanto, é importante verificar se a profissão é válida para todo o país ou apenas para determinadas regiões.
A WKÖ projeta que a população austríaca entre 20 e 64 anos possa diminuir em quase 262 mil pessoas até 2040, o que explica a busca por trabalhadores fora da União Europeia.
Além da qualificação profissional, documentos traduzidos, comprovação de experiência e conhecimentos de alemão ou inglês podem influenciar na pontuação e na seleção, sendo importante consultar as regras oficiais de imigração.
Para brasileiros interessados, o primeiro passo é buscar uma vaga, verificar a compatibilidade da ocupação, preparar a documentação, calcular a pontuação mínima e obter o reconhecimento profissional, se necessário.
Fonte: Click Petróleo e Gás.








