Agronegócio

Brasil figura entre os três maiores exportadores mundiais de couro com US$ 1,2 bi

O Brasil, um dos três maiores exportadores mundiais de couro com US$ 1,2 bilhão em vendas, enfrenta desafios na melhoria da qualidade da matéria-prima para ampliar seu valor agregado, especialmente no setor automotivo e de móveis. O país possui 86% de empresas auditadas com classificação máxima no selo de sustentabilidade LWG, mas precisa reduzir marcas de fogo e defeitos na criação animal para aumentar a competitividade internacional.

Brasil exportou US$ 1,2 bilhão em couro, mas precisa melhorar a qualidade da matéria-prima para aumentar sua competitividade no setor - Foto: Planeta Campo / Reprodução.
Brasil exportou US$ 1,2 bilhão em couro, mas precisa melhorar a qualidade da matéria-prima para aumentar sua competitividade no setor – Foto: Planeta Campo / Reprodução.

O Brasil ocupa posição entre os três maiores exportadores mundiais de couro, com potencial para ampliar sua participação em mercados de maior valor agregado. Com exportações próximas de US$ 1,2 bilhão, o país fica atrás da Itália, que movimenta cerca de US$ 2,7 bilhões no comércio internacional do produto.

No mercado interno, aproximadamente 40% do couro é destinado à fabricação de móveis estofados. O setor automotivo responde por cerca de 36%, enquanto calçados e artefatos representam aproximadamente 19%. A participação do setor automotivo nas exportações brasileiras de couro cresceu a partir de 2008, atualmente respondendo por mais de um terço do total.

Esse avanço está relacionado ao cumprimento de requisitos específicos. Montadoras exigem fornecedores certificados, controle de produtos químicos, certificações internacionais e capacidade de produção em escala com padrões de qualidade.

Um exemplo é a certificação do Leather Working Group (LWG), que audita curtumes em diversos países, principalmente em critérios de sustentabilidade e uso de recursos. Segundo dados do programa Planeta Campo, o Brasil possui 65 empresas auditadas, das quais 86% alcançam a classificação máxima, a medalha de ouro. Na Itália, tradicionalmente reconhecida pela produção de couro, menos da metade dos curtumes auditados atinge esse nível.

Apesar da posição de destaque no mercado internacional, o Brasil enfrenta desafios para aumentar o valor obtido por couro, incluindo melhorias na qualidade da matéria-prima desde a criação dos animais.

Cuidados na criação interferem na qualidade do couro

Lesões e marcas adquiridas pelos animais durante a criação podem permanecer na pele, reduzindo o aproveitamento do couro. Um exemplo histórico foi o uso de arame farpado, que causava riscos na pele que persistiam após o processamento, dificultando o corte de peças.

A substituição do arame farpado pelo arame liso ajudou a diminuir esses danos. Atualmente, um dos principais desafios do setor são as marcas de fogo.

Um couro pode apresentar, em média, de três a quatro marcas de fogo. Como essas marcas permanecem na matéria-prima mesmo após o acabamento, áreas afetadas podem ser descartadas para certas aplicações. A presença dessas marcas é especialmente prejudicial em regiões mais nobres do couro, utilizadas para peças maiores, como bancos automotivos e estofados.

Outro fator que compromete a qualidade são os ectoparasitas, como o carrapato. A evolução da pecuária, com animais abatidos mais jovens, tem contribuído para reduzir a exposição aos parasitas e, consequentemente, a ocorrência de defeitos na pele.

Menos acabamento pode aumentar o valor do couro

Na indústria, a parte mais valorizada do couro é a chamada flor. Quanto maior a quantidade de defeitos, maior a necessidade de lixamento e aplicação de produtos para uniformizar a superfície.

Excessos no acabamento podem alterar a aparência e reduzir a naturalidade do couro. Assim, reduzir os defeitos de origem ajuda a preservar características naturais e valorizar a matéria-prima.

Indústria deve atender a diferentes especificações

Após o processamento, o couro é classificado conforme as características exigidas por cada mercado e cliente. No setor automotivo, por exemplo, é necessário equilibrar resistência, maciez e comportamento nas dobras para atender às especificações de cada fabricante.

As exigências variam entre mercados. Clientes na Ásia, Europa e Américas podem estabelecer parâmetros diferentes, assim como cada marca de automóvel possui suas próprias especificações de produto e cores.

Para atender à indústria automotiva, o couro deve cumprir requisitos de certificação, como a IATF, além de passar por auditorias e manter investimentos em tecnologia e controle de qualidade.

Embora o couro brasileiro seja amplamente utilizado em estofados, a matéria-prima também é empregada na fabricação de calçados, bolsas, mochilas, cintos e outros artefatos.

Com uma indústria consolidada e presença em mercados internacionais, o Brasil busca melhorar a qualidade da matéria-prima e reduzir perdas desde a criação dos animais. Investimentos em cuidados no campo, redução de marcas de fogo e avanços tecnológicos no processamento são caminhos para aumentar o aproveitamento e o valor do couro nacional.

Fonte: Planeta Campo.