
O couro produzido no Brasil percorre uma cadeia que inicia na pecuária e pode chegar ao interior de veículos de diferentes regiões do mundo. Na unidade da JBS Couros em Lins (SP), especializada no setor automotivo, a pele bovina passa por processos de transformação até atingir o estágio de semiacabado.
Após essa etapa, o material é enviado a unidades de acabamento em países como Hungria, China e Tailândia.
Nessas unidades, o couro recebe o acabamento final, é cortado conforme o projeto de cada veículo e transformado nas capas dos bancos. Em seguida, o produto é enviado às montadoras, podendo ser incorporado diretamente à linha de produção dos automóveis.
A indústria automotiva exige padrões específicos para o couro, que deve atender a requisitos de resistência, maciez, aparência e durabilidade. Essas especificações variam conforme o fabricante e o mercado de destino.
Durabilidade e sustentabilidade
A durabilidade é um fator que mantém o couro como material utilizado em bancos de veículos, sofás, calçados e bolsas. Quando adequadamente cuidado, o material pode durar muitos anos, reduzindo a necessidade de substituição.
A discussão sobre sustentabilidade envolve também a forma de produção do couro. A indústria deve cumprir requisitos relacionados às substâncias utilizadas no processamento, além de atender a certificações e critérios estabelecidos por diferentes mercados.
A seleção de fornecedores de insumos químicos faz parte desse processo. Na cadeia produtiva, foi criado um protocolo para estabelecer critérios de responsabilidade e sustentabilidade para esses produtos. Essa iniciativa é compartilhada com outras empresas do setor, visando estabelecer parâmetros comuns para os fornecedores.
Rastreabilidade permite acompanhar a origem
Um recurso utilizado pela cadeia é a rastreabilidade. Por meio de um código associado ao couro, é possível acessar informações sobre o bovino e identificar a fazenda de origem.
Essa ferramenta possibilita acompanhar toda a trajetória da matéria-prima, aumentando a transparência do processo. O objetivo é demonstrar que é possível estabelecer uma cadeia com origem responsável, controle das etapas e uso consciente de recursos e produtos químicos.
Essa lógica começa na propriedade rural e se estende pela indústria, fornecedores de insumos e clientes finais.
Aproveitamento maior da pele
A indústria busca ampliar o aproveitamento da matéria-prima. Um dos projetos apresentados é o Kind Leather, desenvolvido desde 2019 para adaptar o couro às necessidades específicas de corte.
Ao invés de enviar ao cliente uma peça no formato tradicional, a proposta é encaminhar apenas a área necessária para a fabricação do produto. Essa estratégia permite cortes mais precisos e reduz a geração de resíduos.
A aplicação dessa estratégia pode ocorrer em diferentes produtos, como móveis e calçados. Com maior eficiência no aproveitamento, há redução de desperdício e uso de recursos, alinhando sustentabilidade e eficiência econômica.
Uma cadeia que começa no campo
A produção de couro envolve diversas etapas e agentes, desde o produtor rural até a indústria e compradores internacionais. O Brasil possui um dos maiores rebanhos comerciais do mundo e uma indústria de couros estruturada para atender clientes de diferentes continentes.
A cadeia também busca ampliar a percepção internacional sobre a produção brasileira. Segundo representantes do setor, a aproximação com clientes e empresas estrangeiras permite apresentar as características da pecuária nacional, os mecanismos de rastreabilidade e as iniciativas voltadas à sustentabilidade.
Fonte: Planeta Campo.








