Biotecnologia

Embrapa lança nova pera com produtividade de até 30 toneladas por hectare

A cultivar de pera BRS Áurea, desenvolvida pela Embrapa Uva e Vinho no RS, tem potencial de produção de 25 a 30 toneladas por hectare, maturação precoce em janeiro e resistência a doenças, ampliando a oferta no mercado brasileiro. Com adaptação ao Sul do Brasil, ela fortalece o setor agro de frutas, contribuindo para a ampliação da produção e melhoria da qualidade dos frutos.

Fábio Ribeiro realiza colheita de pera, cultivada pela Embrapa, que apresenta potencial de produção de até 30 toneladas por hectare e resistência a doenças - Foto: Planeta Campo / Reprodução.
Fábio Ribeiro realiza colheita de pera, cultivada pela Embrapa, que apresenta potencial de produção de até 30 toneladas por hectare e resistência a doenças – Foto: Planeta Campo / Reprodução.

Desenvolvida pela Embrapa Uva e Vinho (RS), a cultivar BRS Áurea apresenta características favoráveis para o cultivo na região Sul do Brasil, incluindo adaptação às condições climáticas, potencial de produtividade, qualidade dos frutos e resistência à conservação pós-colheita.

A BRS Áurea é a primeira cultivar de pera desenvolvida pelo programa de melhoramento genético da unidade gaúcha. Resultou do cruzamento entre as variedades asiática Hosui e europeia Abate Fetel, realizado em 2006 em Vacaria (RS).

Após aproximadamente 20 anos de seleção, a cultivar foi registrada no Registro Nacional de Cultivares (RNC) do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em maio de 2025.

Características da fruta

Nos testes realizados na região Sul do Brasil, a cultivar apresentou potencial produtivo de 25 a 30 toneladas por hectare e maturação precoce, ocorrendo em janeiro.

A cultivar destaca-se pela resistência à entomosporiose, uma das principais doenças que afetam a cultura, além de apresentar menor suscetibilidade à mosca-das-frutas em comparação à pera Rocha, variedade portuguesa comercializada no Brasil.

Os frutos apresentam tamanho médio a grande e uniformidade, com peso entre 145 e 190 gramas. Na maturação, a casca adquire coloração amarelo-alaranjada a dourada, característica que originou o nome Áurea. A polpa é branca, crocante, suculenta e equilibrada em sabor.

Os frutos da BRS Áurea são uniformes, simétricos, com massa entre 145 e 190 gramas, e ao atingir maturidade, apresentam coloração amarelo-alaranjada ou dourada.

Potencial de produtividade

João Caetano Fioravanço, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, destaca que a BRS Áurea resulta de um trabalho de longo prazo voltado à adaptação às condições brasileiras.

Segundo ele, a cultivar combina boa adaptação às condições do Sul do Brasil, potencial produtivo e frutos de alta qualidade, contribuindo para o desenvolvimento da produção de peras no país.

A cultivar foi avaliada e aprovada em testes realizados nos municípios de Vacaria, Bento Gonçalves e Caxias do Sul, sendo recomendada para regiões com entre 400 e 600 horas de frio abaixo de 7,2 °C durante o inverno.

Pera brasileira se destaca no mercado

A BRS Áurea apresenta maturação precoce, com colheita ocorrendo entre 5 e 20 de janeiro, e ciclo de aproximadamente 106 dias entre a plena floração e a maturidade. Essa janela de colheita permite antecipar a oferta e ampliar a temporada de comercialização no Brasil.

Em sistema de alta densidade, com plantas enxertadas sobre o marmeleiro Adams, espaçamento de quatro metros entre filas e um metro entre plantas, a produtividade estimada é de 25 a 30 toneladas por hectare.

A combinação de época de colheita, potencial produtivo e qualidade dos frutos amplia as possibilidades de uso da cultivar em sistemas comerciais.

Qualidade na pós-colheita

Em avaliações de armazenamento, as peras permaneceram com boa qualidade por até 90 dias em refrigeração a 0,5 °C, seguidos de sete dias em temperatura ambiente a 20 °C.

Durante esse período, a firmeza da polpa diminuiu e a coloração dos frutos tornou-se mais alaranjada, mantendo características adequadas para consumo.

A cultivar demonstra bom potencial de conservação pós-colheita, facilitando a extensão do período de comercialização.

Ensaios indicam possibilidade de armazenamento prolongado em atmosfera controlada, com frutos mantendo maior firmeza por até 165 dias a 0,5 °C. No entanto, os frutos são delicados e podem sofrer danos por impacto na colheita e transporte.

Menor suscetibilidade a doenças

A BRS Áurea apresentou resistência à entomosporiose e à sarna-da-pereira, além de menor suscetibilidade à mosca-das-frutas, em comparação à cultivar Rocha.

Em testes de infestação natural, a infestação de frutos foi de 70% na pera Rocha e 10% na BRS Áurea. Em condições de exposição direta aos insetos, a infestação foi de 40% na BRS Áurea contra 100% na Rocha.

Marcos Botton, pesquisador, destaca que a menor infestação da BRS Áurea é uma característica relevante, embora o monitoramento e manejo de pragas continuem essenciais.

Alternativa para ampliar a produção

A produção brasileira de peras ainda não atende totalmente à demanda interna, e a disponibilidade de cultivares adaptadas às diferentes regiões é um dos desafios para o setor. A irregularidade na produção e a qualidade variável dos frutos também limitam a competitividade da cultura no país.

Fonte: Planeta Campo.