Agroindústria

Refrigerante inovador feito de soro de leite pode chegar à indústria em 2027

Os estudos estão concentrados na caracterização do soro do leite, com análises sobre composição, qualidade e parâmetros básicos do ingrediente.

Foto: Marcelo Ribeiro / EPAMIG.

Pesquisadores em Minas Gerais trabalham no desenvolvimento de uma bebida gaseificada produzida a partir do soro do leite, subproduto da fabricação de queijos e outros derivados. O projeto, conhecido como “Refrigerante do Bem”, está em fase de testes e validação tecnológica e busca transformar um resíduo da indústria láctea em um novo produto para o mercado de bebidas.

A iniciativa surgiu a partir de estudos conduzidos pelo Instituto de Laticínios Cândido Tostes (ILCT), vinculado à Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG). A proposta é criar uma bebida carbonatada obtida por processos de fermentação ou acidificação, que preserve nutrientes presentes no soro do leite e possa receber enriquecimento com proteínas, vitaminas e minerais.

Segundo o coordenador do Programa Estadual de Pesquisa em Leite e Derivados da EPAMIG, Junio de Paula, o nome atribuído ao projeto faz referência ao aproveitamento de um insumo frequentemente descartado pela indústria. Em entrevista, ele explicou que o produto pode manter componentes do leite, como cálcio, sais minerais e vitaminas, além de permitir a inclusão de prebióticos e probióticos.

Os estudos estão concentrados na caracterização do soro do leite, com análises sobre composição, qualidade e parâmetros básicos do ingrediente. Paralelamente, os pesquisadores definem os ingredientes da formulação e os métodos mais adequados para a produção da bebida.

A próxima etapa prevê a fabricação em escala piloto na fábrica-escola do ILCT, em Juiz de Fora. Nesse processo, a bebida será produzida por dois tratamentos distintos, fermentação e acidificação, com diferentes repetições experimentais. Após o envase, o produto será armazenado sob refrigeração para avaliação de estabilidade ao longo do tempo.

Durante o período de estocagem, serão realizadas análises físicas, químicas e microbiológicas para acompanhar aspectos como segurança, estabilidade e vida de prateleira. Os testes também devem verificar a viabilidade tecnológica do uso do soro do leite em bebidas carbonatadas e, quando aplicável, os critérios necessários para classificação como produto probiótico.

Foto: Marcelo Ribeiro / EPAMIG.

A conclusão das pesquisas está prevista para o início de 2027. Depois dessa etapa, os resultados devem ser apresentados em eventos científicos, publicados em trabalhos técnicos e disponibilizados para a indústria. Como o modelo foi desenvolvido com foco em aplicação prática, a expectativa é que laticínios interessados possam adotar a tecnologia após cumprir etapas regulatórias, como registro do produto, adequações de linha e rotulagem.

Além da criação de um novo item no portfólio de bebidas, o projeto também busca oferecer uma alternativa para o aproveitamento do soro do leite, reduzindo o descarte desse subproduto e ampliando as possibilidades de uso na cadeia láctea.

O desenvolvimento da bebida conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). A execução é realizada pela EPAMIG ILCT, com gestão da Fundação Arthur Bernardes (Funarbe).

Fonte: EPAMIG.