Agronegócio

AGBI compra fazenda em Mato Grosso por R$ 90 milhões para recuperação de pastagens

A gestora de terras AGBI adquiriu a fazenda Rincão Alegre, em Gaúcha do Norte (MT), marcando o início do quarto fundo dedicado à recuperação de áreas degradadas, com foco na valorização de pastagens e potencial de integração com lavoura e pecuária.

Fazenda Rincão Alegre, em Gaúcha do Norte (MT)
Fazenda Rincão Alegre, em Gaúcha do Norte (MT) – Foto: Divulgação.

A AGBI, gestora de terras fundada por Luciano Lewandowski, colocou em prática o primeiro investimento de seu quarto fundo, voltado à recuperação e conversão de pastagens degradadas.

A fazenda foi adquirida por R$ 90 milhões, com pagamento dividido em duas parcelas: metade no ato da compra e o restante na safra do próximo ano, com correção pela inflação.

Com uma área total de 7,8 mil hectares, a propriedade possui atualmente 1.450 hectares de áreas produtivas, cultivadas com soja, milho e algodão. A estratégia da AGBI é aumentar a produtividade dessas culturas nessas áreas, além de explorar novas possibilidades de uso do solo.

Há potencial para a conversão de mais de 2,4 mil hectares, incluindo projetos de integração lavoura-pecuária, iniciativas de captura de carbono e a transição de pastagens para lavouras.

Desse total, 1,1 mil hectares já devem ser convertidos de pastagem para lavouras de grãos imediatamente. A previsão da gestora é ampliar essa área para aproximadamente 3,2 mil hectares nas próximas duas a três safras, combinando agricultura, integração com pecuária e projetos ambientais.

Segundo Mário Lewandowski, diretor de novos negócios da AGBI, a equipe vem acompanhando a região há cinco anos, e a aquisição só foi concretizada após a fase de preparação adequada. Em entrevista ao The AgriBiz, ele destacou que o valor pago por hectare foi de R$ 11,4 mil, representando um desconto de cerca de 60% em relação ao preço de mercado na região.

A venda ocorreu devido à transição geracional na propriedade. Os herdeiros preferiram vender a fazenda, que era uma das preferidas do pai deles, embora Lewandowski tenha brincado que ela também é considerada um patrimônio do seu sócio, Gustavo Fonseca.

Áreas operacionais da Fazenda Rincão Alegre, em Gaúcha do Norte (MT)
Áreas operacionais da Fazenda Rincão Alegre, em Gaúcha do Norte (MT) – Foto: Divulgação.

Início do portfólio do quarto fundo da AGBI

Com a aquisição, a propriedade de Gaúcha do Norte passa a integrar o portfólio do Farmland Fund IV. O objetivo do fundo é adquirir terras para recuperação de áreas degradadas, que podem estar integradas a fazendas já em operação, como é o caso desta propriedade.

A AGBI ainda avalia diferentes opções para a recuperação da área degradada, podendo incluir desde atividades agrícolas até a implantação de áreas de floresta, dependendo do potencial de uso do solo e das condições ambientais.

Lewandowski destaca que, em alguns locais, faz sentido estabelecer contratos com usinas de biomassa, adotando uma abordagem mais holística na gestão do território, ao invés de simplesmente transformar toda a área em lavoura de soja, milho ou algodão.

Também está sendo estudada a possibilidade de dividir a matrícula da fazenda em duas partes distintas. Essa estratégia visa facilitar a venda de uma porção da propriedade, já operacional, a preços mais atrativos, enquanto a outra parte, que incluirá áreas de recuperação, permanecerá sob gestão da AGBI.

O regulamento do fundo — classificado como Fiagro — prevê um período de cinco anos para aplicação dos recursos e outro igual para o desinvestimento, com expectativa de retorno de 20% ao ano para os investidores na primeira tranche, concluída recentemente.

O passivo do fundo é majoritariamente composto por recursos de single e multifamily offices brasileiros.

O quarto fundo da AGBI, lançado em março, é o primeiro em co-gestão com a Bradesco-controladora da gestora de investimentos Tivio Capital. Desde 2013, a AGBI já captou recursos em três fundos anteriores, totalizando mais de R$ 100 milhões, com vendas de fazendas que geraram um retorno de aproximadamente R$ 310 milhões até 2022.

Lewandowski reforça que, no terceiro fundo, o valor das fazendas atualmente chega a cerca de R$ 250 milhões, considerando o preço de mercado atual, mesmo em um cenário de mercado desfavorável, o que evidencia o potencial de valorização do investimento em terras.

Fonte: The Agribiz.