Agronegócio

Agricultura regenerativa em pauta na Rio Nature & Climate Week

Evento reuniu lideranças nacionais e internacionais para discutir mecanismos de financiamento voltados à restauração de áreas degradadas, segurança alimentar e adaptação às mudanças climáticas

Foto: Ministério da Agricultura e Pecuária
Foto: Ministério da Agricultura e Pecuária

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o órgão participou, no dia 2 de junho, do III Fórum de Finanças Climáticas e de Natureza, um dos eventos principais da Rio Nature & Climate Week (RNCW), realizado no Rio de Janeiro (RJ). A iniciativa reuniu lideranças nacionais e internacionais para debater o papel do sistema financeiro global como catalisador de um desenvolvimento econômico alinhado às questões climáticas, à preservação da natureza e à prosperidade global.

Representando o Mapa, o assessor especial do ministro e coordenador do Programa Caminho Verde Brasil, Pedro Cunto, integrou o painel “Segurança alimentar e adaptação climática”, que abordou temas diretamente relacionados às ações coordenadas pelo ministério.

Durante a participação, Cunto destacou a crescente conscientização dos produtores rurais acerca da importância da sustentabilidade para o setor agropecuário. Ele também apresentou os próximos passos do Programa Caminho Verde Brasil e as iniciativas voltadas à ampliação do acesso ao financiamento.

De acordo com o assessor, em 2024 será realizado um novo leilão pelo Eco Invest Brasil, com US$ 500 milhões aportados pela Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA), voltado a pequenos e médios produtores. Estão em negociação a participação de empresas japonesas como apoiadoras do programa, além de garantias aos bancos e uma empresa que fornecerá assistência técnica e monitoramento dos projetos, o que deve reduzir os custos operacionais.

Também presente no painel, o sócio-diretor da Agroícone, Rodrigo Lima, ressaltou a relevância da agricultura regenerativa e da recuperação da fertilidade do solo. Segundo ele, “solo fértil é elemento fundamental na agricultura regenerativa, e solos em degradação representam um problema que pode tornar a produção improdutiva. O Caminho Verde dispõe de R$ 30 bilhões para financiamento, mas há a necessidade de ampliar os recursos voltados à restauração e facilitar o acesso ao crédito para diferentes sistemas agrícolas, especialmente em preparação à COP31”, afirmou.

Ao discutir os desafios para ampliar os investimentos no programa, Pedro Cunto apontou dificuldades na atração de capital estrangeiro para o Brasil, devido às condições do hedge cambial e às altas taxas de juros. Ele destacou a necessidade de mecanismos de garantia e redução de riscos mais acessíveis, que tornem o fluxo de capital internacional viável.

O Fórum de Finanças Climáticas e de Natureza é um espaço global de articulação entre finanças, clima e preservação ambiental, com foco na implementação de ações concretas. Organizado por sete organizações da sociedade civil, o evento desde 2024 promove debates estratégicos com lideranças do setor público, privado, social e organismos multilaterais do Brasil e do mundo.

A terceira edição do fórum foi promovida pelo Instituto Igarapé, Aya Institute, Instituto Clima e Sociedade, Instituto Arapyaú, Instituto Itaúsa, Open Society Foundations e Uma Concertação pela Amazônia, instituições parceiras da Rio Nature & Climate Week.

Compromisso com o desenvolvimento sustentável

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, o Programa Caminho Verde Brasil, coordenado pelo ministério, tem como objetivo promover a restauração de terras degradadas em todo o país, visando a implementação de sistemas produtivos sustentáveis.

A iniciativa busca recuperar 40 milhões de hectares de áreas degradadas ao longo de uma década, contribuindo para a segurança alimentar, apoiando a transição energética e ajudando o Brasil a cumprir suas metas ambientais, além de consolidar o protagonismo do país na agenda da agricultura sustentável.

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária.