Agronegócio brasileiro fecha 2025 com recorde de US$ 169 bi em exportações e superávit de US$ 149 bilhões

O setor representou quase metade das vendas totais do Brasil para o exterior, impulsionado por número recorde de aberturas e ampliações de mercado

Foto: Ministério da Agricultura e Pecuária
Foto: Ministério da Agricultura e Pecuária

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, as exportações do agronegócio brasileiro em 2025 atingiram a marca de US$ 169,2 bilhões, representando um aumento de 3,0% em relação aos US$ 164,3 bilhões registrados em 2024. O valor corresponde a 48,5% de todo o volume exportado pelo Brasil no ano passado. O crescimento foi impulsionado por uma elevação de 3,6% no volume de produtos enviados ao exterior, o que compensou a queda de 0,6% nos preços médios.

De acordo com o secretário de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Luís Rua, o recorde no valor exportado decorreu de uma estratégia coordenada entre o Mapa, o Ministério das Relações Exteriores, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e a ApexBrasil. Essa estratégia focou na diversificação de produtos e mercados, além da resiliência e do esforço do produtor brasileiro, que garantiu produção suficiente para abastecer o mercado interno, ajudando no controle dos preços, e exportar os excedentes, gerando emprego, renda e desenvolvimento por meio de uma agropecuária cada vez mais tecnológica e sustentável.

As importações de produtos agropecuários em 2025 totalizaram US$ 20,2 bilhões, um aumento de 4,4% em relação a 2024. Assim, a soma da circulação de comércio agropecuário no ano foi de US$ 189,4 bilhões, e o saldo da balança comercial do setor fechou com um superávit de US$ 149,07 bilhões.

Em dezembro de 2025, as exportações atingiram US$ 14 bilhões, recorde para o mês, crescimento de 19,8% em relação ao mesmo período de 2024. As importações, por sua vez, somaram US$ 1,62 bilhão, aumento de 6,8%, resultando em um saldo de US$ 12,38 bilhões no último mês do ano.

Segundo informações da pasta, o agronegócio brasileiro conquistou a abertura de 525 novos mercados desde 2023. O secretário Luís Rua destacou que esses mercados geraram cerca de US$ 4 bilhões em receitas cambiais adicionais, sem contar as ampliações de mercado realizadas no período. A diversificação de produtos elevou em aproximadamente 15% as exportações de itens não tradicionais em 2025, enquanto a diversificação de destinos ajudou o setor a enfrentar turbulências internacionais, como tarifas elevadas, casos de influenza aviária e redução de preços de commodities.

Um destaque especial foi a safra recorde de grãos 2024/2025, que atingiu 352,2 milhões de toneladas, um incremento de 17% em relação ao ciclo anterior. Na pecuária, produziram-se níveis recordes de carnes bovina, suína e de frango, permitindo a existência de excedentes exportáveis sem prejudicar o abastecimento interno.

Destaques por produtos e mercados

Entre os principais destinos das exportações brasileiras, a China lidera com US$ 55,3 bilhões (32,7% das exportações), crescimento de 11% em relação a 2024. A União Europeia aparece em segundo lugar, com US$ 25,2 bilhões (14,9%), aumento de 8,6%. Os Estados Unidos representam US$ 11,4 bilhões (6,7%), com queda de 5,6%.

Outros mercados que ampliaram suas compras incluem o Paquistão (+122%), com US$ 895,6 milhões; a Argentina (+29%), com US$ 573,79 milhões; as Filipinas (+9,18%), com US$ 332,6 milhões; Bangladesh (+4,64%), com US$ 256,75 milhões; o Reino Unido (+3%), com US$ 231,5 milhões; e o México (+2%), com US$ 217 milhões.

Quanto aos produtos, a soja em grãos permanece como o principal item, gerando US$ 43,5 bilhões (+1,4%) em receita, com volume embarcado recorde de 108,2 milhões de toneladas, aumento de 9,5%. A carne bovina também atingiu recorde, com receitas de US$ 17,9 bilhões (+39,9%) e incremento de 20,4% em volume. Além disso, foram abertos 11 novos mercados para a carne bovina brasileira.

No setor de proteínas animais, houve aumento de 19,6% no valor e de 12,5% no volume exportado de carne suína, tornando o Brasil o terceiro maior exportador mundial. Para a carne de frango, houve aumento de 0,6% no volume exportado, mesmo com o desafio do único caso de influenza aviária registrado em 2025.

O café também apresentou crescimento de 30,3% em valor, totalizando US$ 16 bilhões, impulsionado por preços internacionais recordes para o café verde e solúvel. As exportações de frutas cresceram 12,8% em valor e 19,7% em volume, com abertura de 26 novos mercados nos últimos três anos. Os pescados tiveram aumento de 2,6% em valor e de 17% em volume.

Apesar de o complexo soja, as proteínas animais, o setor sucroalcooleiro e o café liderarem o faturamento, a balança comercial de 2025 também registrou crescimento em produtos menos tradicionais, que representam oportunidades de mercado. Destacam-se as exportações de gergelim para a China, que já totalizaram US$ 195,1 milhões após a abertura do mercado em novembro de 2024.

Outro produto que apresentou crescimento relevante foram as miudezas de carne bovina, com incremento de 20,6% em valor, chegando a US$ 605 milhões, e de 16,9% em volume, totalizando 267 mil toneladas. A abertura de mercados como Indonésia e Filipinas contribuiu para esses resultados.

O DDG de milho (grãos secos de destilaria), coproduto da produção de etanol, cresceu 4,3% em volume, atingindo 825 mil toneladas. A Turquia, por exemplo, passou de US$ 35,6 milhões para US$ 62,7 milhões em compras (+76,1%). Os feijões tiveram desempenho recorde, com aumento de 32% em valor, chegando a US$ 443 milhões, e de 55,5% em volume, totalizando 533 mil toneladas.

Produtos que não fazem parte do grupo principal de commodities também atingiram marcas históricas em 2025, como a Pimenta piper seca ou triturada, que alcançou US$ 517,81 milhões (+81,1%) e 803 mil toneladas (+34,6%). O amendoim atingiu US$ 366,9 milhões (+1,9%) e 311,5 mil toneladas (+37,3%). O óleo de amendoim atingiu US$ 264,6 milhões (+147,4%) e 173 mil toneladas (+180,4%). Os melões frescos chegaram a US$ 231,5 milhões (+24,9%) e 283,4 mil toneladas (+16,4%). A castanha de caju atingiu US$ 75,8 milhões (+72,7%) e 16,6 mil toneladas (+120,2%).

Durante 2025, o Governo Federal desenvolveu iniciativas como o AgroInsight, Passaporte Agro e Caravanas do Agro Exportador, que aproximaram produtores e cooperativas de oportunidades no mercado internacional. O AgroInsight, lançado em janeiro de 2025, identificou mais de 800 oportunidades de negócios mapeadas por adidos agrícolas em 38 países. Essas ações refletem a estratégia de ampliar a presença internacional do setor agropecuário brasileiro.

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária.