Tecnologia

Universidade cria material que captura carbono e ainda gera hidrogênio

A tecnologia utiliza água do mar enriquecida com CO2 e corrente elétrica para formar minerais capazes de reter até 500 quilos de CO2 por tonelada produzida

Imagem gerada por IA.

Pesquisadores da Northwestern University apresentaram em 19 de março de 2025 um material desenvolvido para substituir areia e brita no concreto e, ao mesmo tempo, armazenar dióxido de carbono em forma sólida. A tecnologia utiliza água do mar enriquecida com CO2 e corrente elétrica para formar minerais capazes de reter até 500 quilos de CO2 por tonelada produzida. O processo também gera hidrogênio como coproduto.

O concreto é o material mais utilizado no mundo. A cadeia de produção responde por quase 8% das emissões globais de gases de efeito estufa. O volume envolvido impõe um desafio de escala a qualquer alternativa. A proposta apresentada parte da incorporação do carbono ao próprio insumo da construção, em vez de apenas compensar emissões após a fabricação.

Como o CO2 vira mineral

A pesquisa se inspira em um fenômeno natural observado na formação de conchas e recifes de coral. Ao aplicar corrente elétrica na água do mar com CO2 dissolvido, ocorrem reações químicas que levam à formação de minerais estáveis, como o carbonato de cálcio, semelhante ao calcário.

Íons presentes na água, como cálcio e magnésio, reagem com o CO2 sob efeito da eletricidade. O resultado são sólidos minerais que podem ser utilizados como agregados no concreto. Uma vez mineralizado, o carbono permanece estável, reduzindo o risco de retorno à atmosfera.

Substituição da areia e ajuste industrial

Para que o material funcione como agregado, é necessário que apresente características físicas compatíveis com o concreto tradicional. A equipe informou que é possível ajustar textura e densidade por meio do controle da intensidade da corrente elétrica e do fluxo de CO2 injetado no sistema.

Os estudos publicados na revista Advanced Sustainable Systems indicam que os minerais podem armazenar até metade do próprio peso em CO2. A estimativa é que uma tonelada do material retenha mais de 500 quilos do gás.

Além do concreto, os sólidos produzidos podem ser empregados em cimento, gesso e tintas, desde que atendam às especificações técnicas exigidas pela indústria.

Diferença em relação ao armazenamento geológico

Grande parte das estratégias de captura de carbono envolve o armazenamento do CO2 em reservatórios subterrâneos. Nesse modelo, o monitoramento a longo prazo é parte central da operação.

A abordagem desenvolvida transforma o CO2 em componente de um produto de uso corrente. O carbono deixa de ser armazenado isoladamente e passa a integrar um material empregado na construção civil.

O método também se diferencia da carbonatação tradicional do concreto, que captura apenas uma fração do CO2 associado à fabricação, geralmente entre 5% e 10%. Neste caso, a incorporação ocorre antes da aplicação do material na obra.

Integração com a indústria e geração de hidrogênio

A proposta inclui a instalação de reatores modulares em regiões costeiras, aproveitando o acesso à água do mar. A equipe trabalhou em parceria com a empresa Cemex para avaliar a integração com cimenteiras.

Além dos minerais sólidos, o processo produz hidrogênio. O gás pode ser utilizado como fonte de energia, dependendo da infraestrutura disponível e da demanda local.

A iniciativa apresenta uma alternativa que atua simultaneamente na redução da extração de areia e na incorporação de carbono ao concreto, em um setor responsável por parcela significativa das emissões globais.

Fonte: Fonte: Click Petróleo e Gás.