Os preços do bezerro vêm apresentando alta mais intensa que os do boi gordo ao longo dos últimos doze meses, segundo levantamento do Cepea. Entre março de 2024 e março de 2025, a valorização do bezerro negociado em Presidente Prudente (SP) foi de 42%, enquanto a do boi gordo ficou em 35%. Essa diferença reforça a pressão sobre o custo da reposição no sistema produtivo, especialmente em um momento de cautela por parte dos pecuaristas.

Representantes de leiloeiras consultados pelo Cepea apontam que a oferta de bezerros está bem abaixo do considerado normal para o período. A demanda, mesmo sem estar aquecida, tem sido suficiente para provocar reajustes graduais nos preços e sinalizar uma possível reversão no ciclo de preços da categoria de reposição. O cenário é influenciado por fatores como retenção de fêmeas e menor volume de nascimentos, que reduzem a disponibilidade de animais jovens no mercado.
Esse contexto pode impactar diretamente a decisão dos pecuaristas que atuam na terminação intensiva, sobretudo em sistemas de confinamento. Segundo o Cepea, a reposição representa entre 60% e 70% do custo total da atividade confinada, o que torna o investimento mais arriscado diante da valorização atual dos bezerros. A relação de troca menos favorável exige maior cautela na hora de fechar negócios e planejar o ciclo produtivo.
A defasagem entre os preços do bezerro e do boi gordo pode reduzir a atratividade da engorda, especialmente se os valores de venda não acompanharem os custos de aquisição. O cenário sugere um momento de atenção para o setor, que deve reavaliar estratégias de compra e comercialização. A expectativa agora gira em torno da movimentação do mercado nos próximos meses e de como os preços vão se comportar com a aproximação do período de confinamento mais intenso.