
Atualmente, o planeta abriga cerca de 8,2 bilhões de habitantes. Com o crescimento populacional e a intensificação da busca por alimentos de qualidade, o setor agrícola brasileiro se posiciona como uma peça estratégica na segurança alimentar global.
Especialistas destacam que o Brasil possui condições únicas para ampliar sua produção agrícola sem a necessidade de novos desmatamentos. O potencial está na recuperação de áreas degradadas e na implementação de sistemas sustentáveis, como a integração lavoura-pecuária-floresta e a agricultura regenerativa.
O professor de agronegócio, José Luiz Tejon, afirma que o Brasil tem a capacidade de crescer em produtividade sem expandir suas áreas, principalmente por meio de modelos agroambientais que envolvem recuperação de áreas degradadas e práticas como a ILPF (integração lavoura-pecuária-floresta).
De acordo com Tejon, o Brasil se destaca entre as maiores potências agrícolas do mundo e deve ampliar sua relevância nos próximos anos. Diferentemente de países como Estados Unidos e China, o Brasil ainda dispõe de áreas aptas à expansão sustentável, o que reforça seu papel no cenário global.
Ele projeta que até 2032, a área agrícola brasileira poderá superar a dos Estados Unidos, considerando o potencial de crescimento sem necessidade de desmatamento adicional, graças ao uso de tecnologias e sistemas sustentáveis.
Desafios de qualidade na produção
Além de ampliar volumes, o setor enfrenta o desafio de garantir alimentos cada vez mais saudáveis. A produção moderna exige atenção à saúde do solo, uso racional de recursos hídricos, bem-estar animal e adoção de tecnologias sustentáveis de manejo.
Tejon enfatiza que não basta produzir grandes quantidades, é preciso assegurar a qualidade e a segurança do alimento. Tecnologias e práticas que promovem a sustentabilidade no campo são essenciais para atender a essa demanda.
O avanço científico e a inovação tecnológica têm sido aliados importantes na busca por uma produção mais eficiente e sustentável. Essas ferramentas possibilitam ao agronegócio brasileiro produzir mais por hectare, integrar cadeias produtivas e otimizar o uso de recursos naturais.
Práticas como o plantio direto, rotação de culturas e sistemas integrados de produção, aliadas às condições climáticas favoráveis, contribuem para a alta eficiência do setor. Diferentemente de países do Hemisfério Norte, o Brasil consegue manter uma produção agrícola praticamente durante o ano todo.
Por outro lado, o clima tropical também impõe desafios relacionados ao controle de pragas, doenças e plantas invasoras, demandando contínuo desenvolvimento tecnológico para manter a produtividade.
Contribuição para a redução da fome global
O agronegócio brasileiro também desempenha papel importante na exportação de tecnologia adaptada às regiões tropicais. Segundo Tejon, as inovações desenvolvidas no país podem ajudar a combater a fome, a pobreza e a insegurança alimentar, especialmente em áreas de difícil acesso no mundo tropical, onde a população continua em crescimento.
Pesquisadores alertam que as regiões tropicais e subtropicais concentram grande parte dos desafios sociais relacionados ao acesso a alimentos. Assim, esses locais precisarão investir em modelos de agronegócio sustentáveis e eficientes para atender às demandas crescentes por comida.
Combate ao desperdício de alimentos
Reduzir perdas na cadeia produtiva é uma estratégia fundamental no combate à fome mundial. Vinícius Cabaúva, professor na Harven Agribusiness School, explica que perdas ocorrem desde a colheita até o consumo, sendo que a maior parte está relacionada ao comportamento do consumidor, que descarta alimentos por motivos estéticos.
Segundo ele, muitos alimentos são descartados mesmo mantendo qualidade nutricional e segurança para consumo, devido a características visuais ou pequenas imperfeições.
Cabaúva lembra que, na formação acadêmica, aprendia-se a avaliar as características de produtos com pequenas imperfeições que, na prática, não comprometem o consumo. Ainda assim, consumidores costumam evitar esses alimentos, contribuindo para o desperdício.
Para reduzir perdas, a cadeia produtiva tem buscado alternativas de reaproveitamento, como transformar frutas, legumes e verduras maduros em produtos processados, como sucos, alimentos cortados e bebidas.
Essas iniciativas ajudam a diminuir o desperdício, aumentam a rentabilidade das empresas e oferecem novas opções de consumo para o público.
Fonte: Planeta Campo.








