Tecnologia

Placas solares na plantação trazem potencial de ganhos e perdas nos lucros e na lavoura

A integração de painéis solares em fazendas agrícolas, conhecida como agrivoltaico, apresenta resultados variados dependendo do clima e da cultura, podendo aumentar ou diminuir a produtividade e os lucros dos produtores.

Um estudo extensivo analisou as vantagens e desvantagens agrícolas e econômicas da instalação de painéis solares em fazendas agrícolas. [Imagem: U. of I. Institute for Sustainability, Energy and Environment]
Um estudo extensivo analisou as vantagens e desvantagens agrícolas e econômicas da instalação de painéis solares em fazendas agrícolas. Foto: U. of I. Institute for Sustainability, Energy and Environment.

O conceito de agrivoltaico, que combina fazendas solares com atividades agrícolas, tem ganhado atenção como uma alternativa para otimizar o uso da terra. Entretanto, os benefícios dessa prática não são automáticos ou universais, podendo variar de acordo com as condições regionais.

Pesquisadores da Universidade de Illinois Urbana-Champaign, nos Estados Unidos, demonstraram que a adoção dessa tecnologia pode tanto ampliar quanto comprometer a produção agrícola e os lucros, dependendo de fatores específicos de cada fazenda.

O sucesso econômico e produtivo do agrivoltaico depende principalmente do tipo de cultura cultivada e das condições climáticas da região onde o sistema é instalado.

Para avaliar a viabilidade, os pesquisadores desenvolveram um modelo econômico que estima os lucros líquidos anuais por hectare, considerando diferentes combinações de produção agrícola e geração de energia solar, incluindo sistemas autônomos e integrados, nos quais painéis cobrem cerca de um terço da área.

As simulações realizadas ao longo de 15 anos, abrangendo regiões com diferentes níveis de umidade, mostraram que o clima exerce forte influência na produtividade e na rentabilidade dessas instalações.

Representação esquemática (sem escala) da agrivoltaica e dos processos primários. (a) Integração de quatro áreas agrivoltaicas para cada tipo funcional de planta, incluindo seu arranjo espacial com painéis solares. (b) Representação do ciclo hidrológico (sub)superficial. (c) Balanço energético dos painéis solares em relação ao ciclo energético da superfície terrestre. (d) Dinâmica do ciclo biogeoquímico do carbono. [Imagem: Jia et al. - 10.1029/2025ms005092]
Representação esquemática (sem escala) da agrivoltaica e dos processos primários. (a) Integração de quatro áreas agrivoltaicas para cada tipo funcional de planta, incluindo seu arranjo espacial com painéis solares. (b) Representação do ciclo hidrológico (sub)superficial. (c) Balanço energético dos painéis solares em relação ao ciclo energético da superfície terrestre. (d) Dinâmica do ciclo biogeoquímico do carbono. Imagem: Jia et al. – 10.1029/2025ms005092.

Lucro ou prejuízo podem ocorrer

As análises indicam que a disponibilidade de água, ou a sua escassez, é um fator decisivo na produtividade agrícola e na viabilidade econômica do agrivoltaico.

De acordo com uma das pesquisadoras, “em regiões úmidas, a sombra causada pelos painéis reduziu a fotossíntese, levando a uma queda de 24% na produção de milho e 16% na soja, impactando negativamente os lucros. Já em áreas semiáridas, o sombreamento ajudou a aliviar o estresse hídrico, resultando em aumento de 6% na produção de soja e mitigando perdas na cultura do milho”.

Além das condições climáticas, fatores de mercado, como preços de commodities e valores de arrendamento de terras, influenciam a viabilidade econômica dos projetos de energia agrivoltaica.

Segundo o professor Kaiyu Guan, a pesquisa fornece fundamentos científicos para orientar o planejamento do uso da terra, ajudando gestores, formuladores de políticas e investidores a desenvolverem projetos de agrivoltaico que sejam ambientalmente sustentáveis e adequados às condições locais. Apesar dos benefícios potenciais em regiões semiáridas, os custos elevados de instalação, especialmente para elevar a altura dos painéis, dificultam a competitividade econômica em áreas mais úmidas.

Fonte: Inovação Tecnológica.