
O fenômeno climático El Niño, atualmente em fase de fortalecimento, já influencia o clima no Oceano Pacífico e deve trazer mudanças significativas ao clima do Piauí. Segundo a Sala de Monitoramento e Previsão de Eventos Climáticos Extremos da Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do estado, os efeitos incluem elevação das temperaturas, diminuição da umidade do ar, maior risco de incêndios florestais e uma possível redução das chuvas nos próximos meses.
Caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial acima da média climatológica, o El Niño é um fenômeno natural e periódico. Os especialistas da Semarh indicam que, com mais de 60% de chance, a intensidade forte do evento deve ocorrer a partir de setembro deste ano.
De acordo com o climatologista Pedro Aderaldo, a maior parte dos efeitos ainda não é percebida pela população, mas a tendência é que se intensifiquem nos próximos meses. Ele explica que o fenômeno, ainda em intensidade fraca, tem mais de 60% de probabilidade de evoluir para uma fase forte até fevereiro de 2027.
Pedro Aderaldo destaca que o aquecimento anormal das águas do Pacífico Central provoca alterações nos padrões climáticos globais, incluindo o Nordeste brasileiro. Para o Piauí, as primeiras mudanças devem ocorrer na época mais quente do ano, agravando temperaturas extremas e a baixa umidade do ar.
Segundo a meteorologista Sônia Feitosa, o principal impacto será a combinação de temperaturas elevadas com umidade do ar bastante baixa. Ela explica que o período mais quente do ano, que já é natural no Piauí, deve ser agravado pelo fenômeno, aumentando o risco de incêndios e afetando a saúde da população.
Ela acrescenta que, entre junho e novembro, a preocupação maior é com ondas de calor e ressecamento da vegetação. A partir do fim de 2026 e início de 2027, o fenômeno pode impactar o período chuvoso, levando a uma possível diminuição das precipitações durante a estação de chuvas, caso a intensificação continue até janeiro de 2027.
A meteorologista reforça que o El Niño, com confirmação de 100%, deve se fortalecer até fevereiro de 2027, antes de perder força. Além dos efeitos ambientais, a redução das chuvas pode gerar prejuízos econômicos e sociais, especialmente para agricultores familiares que dependem das precipitações.
Conforme a Sala de Monitoramento da Semarh, a escassez de recursos hídricos compromete a agricultura e a criação de animais, afetando milhares de famílias que vivem do campo. Os episódios mais intensos de El Niño na história ocorreram em 1982/1983, 1997/1998 e 2015/2016, quando as temperaturas do Pacífico chegaram a ficar até três graus Celsius acima da média.
Os especialistas continuam acompanhando a evolução do fenômeno e alertam que o principal desafio será enfrentar um período de calor intenso, ar mais seco e maior incidência de incêndios, com possíveis consequências também sobre as chuvas no início de 2027.
Fonte: pi.gov.br








