Apicultura

Dia Mundial da Abelha: Criação de abelhas sem ferrão fortalece comunidades

No município de Monte Alegre, no Pará, a meliponicultura vem promovendo geração de renda e preservação ambiental, com mais de 500 colônias de abelhas nativas instaladas por cerca de 20 famílias.

Foto: Planeta Campo / Reprodução.
Foto: Planeta Campo / Reprodução.

Na Área de Proteção Ambiental (APA) Paytuna, aproximadamente 20 famílias participam do projeto, que já possui mais de 500 colônias de abelhas nativas, conhecidas como abelhas sem ferrão. A produção anual de mel alcança cerca de 1.400 quilos, principalmente da espécie Melipona interrupta, popularmente chamada de Jupará, reconhecida pela alta qualidade do produto e sua relevância na polinização de espécies florestais.

O trabalho do Ideflor-Bio ocorre nas comunidades de Lages, Paytuna, Santana do Paytuna e Ererê, próximas ao Parque Estadual Monte Alegre. Desde 2025, as equipes reforçam a assistência técnica aos meliponicultores, promovendo práticas tradicionais que unem conservação ambiental, renda sustentável e valorização do conhecimento local.

Potencial de produção e sustentabilidade

O objetivo do Ideflor-Bio é ampliar o potencial produtivo das comunidades, oferecendo orientações sobre manejo sustentável das abelhas e incentivando técnicas que respeitam os modos de vida tradicionais. Essa assistência técnica também visa fortalecer a autonomia das famílias, garantindo a permanência delas no território de forma sustentável.

Segundo Itajury Kishi, gerente da GRCN-I, assegurar essa orientação técnica é fundamental para consolidar a produção local e apoiar as políticas públicas voltadas às populações tradicionais. Ele destaca ainda que o fortalecimento da meliponicultura representa uma estratégia de conservação e desenvolvimento econômico que valoriza saberes ancestrais.

“Continuar apoiando essa atividade é reforçar o compromisso com as comunidades tradicionais e com o desenvolvimento sustentável. A meliponicultura integra produção, preservação ambiental e identidade cultural, e é papel do nosso trabalho garantir que esses conhecimentos sejam preservados e aprimorados com suporte técnico adequado”, afirma Kishi.

Planejamento e fortalecimento das comunidades

Durante as visitas técnicas, as equipes realizam escutas comunitárias e avaliam as estruturas existentes, com o objetivo de planejar ações específicas para cada localidade. Essa abordagem participativa ajuda a identificar desafios e oportunidades na cadeia produtiva do mel na APA Paytuna, promovendo uma gestão ambiental colaborativa nas unidades de conservação da Calha Norte.

A experiência de Monte Alegre demonstra como o manejo sustentável de abelhas nativas pode transformar territórios protegidos, promovendo conservação e inclusão social.

De acordo com Mazinho de Brito, analista ambiental do Ideflor-Bio, ao combinar orientação técnica, valorização do saber tradicional e conservação da biodiversidade, a meliponicultura revela-se uma estratégia eficaz de proteção às abelhas e às comunidades amazônicas, contribuindo para o futuro sustentável da floresta.

Fonte: Planeta Campo.