
Reconhecida como uma das principais delícias da culinária árabe, a carne de camelo voltou ao centro das discussões após Virginia Fonseca compartilhar que experimentou o prato em uma visita aos Emirados Árabes. A revelação gerou impacto nas redes sociais, especialmente ao mencionar o alto valor de um animal completo, que pode atingir cifras próximas a R$ 206 mil.
Durante a refeição, ela descreveu a carne como semelhante a uma costela bem temperada, acompanhada de arroz típico da região. Em tom descontraído, brincou sobre o preço do animal: “Ele desceu o camelo para nós. Vamos comer”.
Apesar de ser pouco conhecida no Brasil, a carne de camelo é altamente valorizada em países do Oriente Médio e da África, onde integra tradições culturais há séculos. Ela aparece frequentemente em eventos sociais, celebrações religiosas e ocasiões especiais.
Mais do que uma curiosidade exótica, essa proteína constitui uma cadeia econômica de bilhões de dólares, envolvendo a produção de carne, leite, couro e exportações para mercados internacionais.
Especialistas e consumidores costumam compará-la a uma mistura de carne bovina e cordeiro, porém com sabores e características próprias.
Seu sabor é mais rústico, levemente adocicado e terroso, especialmente quando combinado com especiarias típicas da culinária árabe, como cardamomo, canela, cominho e açafrão.
Já a textura tende a ser fibrosa e firme, demandando preparo lento para alcançar a maciez ideal. Por isso, ensopados e cozidos longos continuam sendo os métodos mais tradicionais de preparo.

Entre as principais características da carne, destacam-se:
- Textura densa e fibrosa, especialmente em animais mais velhos;
- Baixo teor de gordura em comparação à carne bovina;
- Alto valor proteico;
- Sabor intenso e marcante;
- Melhor rendimento em preparos de longa cocção.
Os cortes mais valorizados geralmente vêm de animais jovens, cuja carne apresenta maior maciez, semelhante à vitela. A corcova do camelo é considerada uma iguaria de alto padrão em diversos países árabes, devido à concentração de gordura e sabor que oferece.
O cultivo de camelos deixou de ser apenas uma prática tradicional nômade e se consolidou como uma indústria agropecuária relevante em regiões desérticas.
Países do Oriente Médio lideram a produção mundial de carne e leite de camelo, com destaque para Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e algumas regiões do norte da África.
Em Dubai, por exemplo, existem algumas das maiores fazendas de camelos do planeta, onde milhares de animais são criados para abastecer o mercado de carne, leite, cosméticos e suplementos alimentares.
O setor vem expandindo suas exportações, especialmente para mercados de produtos premium, impulsionado por uma crescente demanda por proteínas mais sustentáveis e saudáveis.
A cultura halal, fundamental em países islâmicos, também reforça a valorização da carne de camelo. Em 2025, o Brasil exportou aproximadamente 1,5 milhão de toneladas de proteínas para a região, movimentando cerca de US$ 3,2 bilhões.

Embora seja mais comum na Ásia e no Oriente Médio, a Austrália também se destaca como uma das principais produtoras de carne de camelo no mundo.
O país possui a maior população de camelos selvagens do planeta. Introduzidos no século XIX para facilitar o transporte em regiões desérticas, esses animais se multiplicaram e atualmente representam uma questão de manejo ambiental e econômico.
Estimativas indicam que a Austrália já chegou a abrigar mais de um milhão de camelos ferais. Atualmente, o governo realiza programas de manejo que incluem a exportação de carne, leite e derivados.
Grande parte da carne produzida no país é exportada para mercados do Oriente Médio e comunidades islâmicas ao redor do mundo.
Além do aspecto econômico, a criação de camelos é vista por pesquisadores e produtores como uma alternativa sustentável em regiões áridas, pois esses animais consomem menos água e suportam temperaturas extremas de forma mais eficiente do que bovinos tradicionais.
O crescimento do setor também é impulsionado pelo posicionamento da carne de camelo como uma proteína premium, saudável e de alta qualidade.
Ela é frequentemente promovida por possuir:
- Menor teor de gordura;
- Baixos níveis de colesterol;
- Alto teor de ferro;
- Elevada concentração de proteínas;
- Boa adaptação a sistemas de produção em ambientes áridos.
Nos mercados ocidentais, restaurantes especializados vêm apostando em hambúrgueres, kebabs e pratos gourmet feitos com carne de camelo, buscando oferecer uma alternativa exótica e sofisticada.
Nos Emirados Árabes, o hambúrguer de camelo já virou uma atração gastronômica bastante procurada por turistas.
Para os países árabes, o camelo transcende a alimentação, simbolizando riqueza, tradição e status social.
Historicamente, possuir grandes rebanhos de camelos era um sinal de prestígio entre famílias beduínas. Ainda hoje, exemplares de destaque podem alcançar valores milionários em leilões e competições de beleza animal no Golfo Pérsico.
Na cultura árabe, servir carne de camelo em ocasiões especiais é considerado um gesto de hospitalidade e respeito aos convidados.
Por isso, pratos com carne de camelo costumam ser reservados para festas de alto padrão, celebrações religiosas e eventos familiares de grande porte.
O episódio envolvendo Virginia Fonseca despertou a curiosidade de muitos brasileiros ao revelar um costume pouco conhecido no Ocidente, mas profundamente enraizado na cultura do Oriente Médio.
Enquanto a carne bovina domina a mesa brasileira, em regiões desérticas do Oriente Médio, o camelo permanece como símbolo cultural e gastronômico de grande relevância.
Fonte: Compre Rural.








