
A pecuária no Pantanal tem adotado tecnologias e protocolos que valorizam a origem da carne e facilitam o acesso a mercados diferenciados.
A Associação Pantaneira de Pecuária Orgânica e Sustentável (ABPO) desenvolve ações de rastreabilidade, manejo responsável e certificação, reunindo produtores do Mato Grosso do Sul.
Fundada em 2001, a associação busca incentivar a produção de carne orgânica na região do Pantanal. Em 2017, passou a trabalhar também com o protocolo Carne Sustentável ABPO, ampliando as possibilidades de mercado para os produtores que atendem às exigências de origem e processos de produção.
De acordo com representantes da associação, a principal diferença entre carne orgânica e carne sustentável está no modelo produtivo e nas regras de certificação. A produção orgânica segue normas mais restritivas, enquanto a carne sustentável permite maior flexibilidade, mantendo critérios de conservação ambiental, bem-estar animal e rastreabilidade.
Rastreabilidade como ferramenta de gestão
Nas propriedades associadas, os animais são identificados individualmente e suas informações são acompanhadas desde a origem até o abate. Para produtores como Pedro Manuel, a tecnologia deixou de ser apenas uma exigência de mercado e passou a ser uma ferramenta de organização da fazenda.
A implementação da rastreabilidade requer investimentos em identificação animal, sistemas de gestão e acompanhamento técnico. Segundo o produtor, o suporte da ABPO foi fundamental na escolha das tecnologias e na adaptação do manejo.
Incentivos aumentam a atratividade do sistema
Atualmente, a ABPO conta com cerca de 100 associados e mais de 150 propriedades, principalmente no Pantanal, além de outras regiões do Mato Grosso do Sul.
Os produtores também recebem incentivos financeiros, incluindo bonificações do governo estadual de 2,5% sobre o valor da arroba para carne sustentável e 3% para carne orgânica, além de suporte técnico e acesso a grupos de compra.
Em 2024, aproximadamente 205 mil cabeças foram abatidas sob os protocolos sustentável e orgânico, com incentivos médios variando entre R$ 134 e R$ 185 por animal.
O custo de identificação dos animais é de cerca de R$ 10 por cabeça, valor inferior ao retorno obtido com as bonificações e melhorias na gestão da propriedade.
Mercado internacional
A rastreabilidade também é considerada um diferencial para atender consumidores que desejam conhecer a origem dos alimentos. Com informações detalhadas, a carne sustentável tem conquistado espaço em mercados mais exigentes.
Para Pedro Manuel, a adoção do protocolo trouxe benefícios econômicos e facilitou oportunidades de exportação.
O trabalho da ABPO demonstra como a pecuária do Pantanal vem incorporando novas ferramentas para alinhar-se às exigências de sustentabilidade, qualidade e transparência do mercado consumidor.
Fonte: Planeta Campo.










