Economia

Brasil e Índia aumentam comércio e investimentos em 32,9% nos primeiros sete meses de 2026

Corrente de comércio entre os dois países chegou a US$ 10,1 bilhões nos primeiros sete meses de 2026, alta de 32,9%

Foto: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços

Brasil e Índia reforçaram nesta sexta-feira (28/08) a importância estratégica de sua parceria econômica e comercial durante a 8ª Reunião do Mecanismo de Monitoramento de Comércio Bilateral Brasil–Índia (TMM), realizada na sede do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Segundo o ministério, as delegações abordaram temas centrais para a relação bilateral, incluindo a ampliação do Acordo de Comércio Preferencial (ACP) MERCOSUL–Índia, acesso a mercados, barreiras comerciais, diversificação de mercados de exportação e promoção de investimentos.

A delegação brasileira foi liderada pela secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres, enquanto a parte indiana contou com o secretário de Comércio da Índia, Rajesh Agrawal. De acordo com o MDIC, o encontro deu continuidade à aproximação iniciada na missão oficial do ministro Márcio Elias Rosa à Índia, no início deste mês. Na ocasião, foi assinado um Memorando de Entendimento (MoU) com a Confederação das Indústrias Indianas (CII), em cerimônia na ApexBrasil, com o objetivo de ampliar a cooperação comercial e de investimentos entre os dois países. O acordo busca fortalecer canais de cooperação entre empresas e criar oportunidades para diversificar as exportações brasileiras, além de incentivar a internacionalização de pequenas e médias empresas e atrair investimentos.

Durante a reunião do TMM, as delegações discutiram questões relacionadas ao acesso a mercados e à superação de barreiras comerciais, especialmente em setores como produtos agrícolas e calçados. Também foram abordadas oportunidades para diversificação do comércio, promoção de investimentos e estabelecimento de parcerias estratégicas. Segundo o MDIC, a atuação dos escritórios abertos pela Apex-Brasil e pela Embraer em Nova Delhi foi um dos pontos destacados na discussão.

O encontro também marcou avanços nos Certificados Eletrônicos de Origem (eCoOs) e na implementação do Memorando de Entendimento sobre cooperação em micro, pequenas e médias empresas, empreendedorismo e artesanato, sob a liderança do Ministério do Empreendedorismo (MEMPE). No âmbito multilateral, temas relacionados ao BRICS, G20, Organização Mundial do Comércio (OMC) e Organização Marítima Internacional (IMO) também foram debatidos.

Segundo Tatiana Prazeres, a reunião ocorre em um momento de intensificação das relações entre Brasil e Índia, com maior participação do setor privado e maior aproximação entre os governos. Ela destacou que, desde a última reunião, em outubro de 2025, a relação bilateral ganhou maior densidade por meio de contatos de alto nível e envolvimento crescente do setor privado. “O mecanismo é um espaço fundamental para enfrentarmos, de forma objetiva, obstáculos ao comércio e identificarmos novas oportunidades. Hoje, discutimos acesso a mercados, barreiras regulatórias, diversificação das exportações, investimentos e a ampliação do acordo entre o MERCOSUL e a Índia. São temas concretos que podem contribuir para aumentar e diversificar o relação comercial entre os dois países”, afirmou.

A secretária também relacionou a reunião à agenda de alto nível mantida ao longo de agosto, citando a participação do ministro Márcio Elias Rosa na reunião de ministros de Comércio do BRICS, em Jaipur, além do encontro com o ministro Piyush Goyal e a assinatura do acordo com a CII, reforçando o compromisso de Brasil e Índia com uma relação econômica mais próxima e oportunidades para as empresas brasileiras.

Comércio bilateral em crescimento

De acordo com dados do MDIC, em 2025, o comércio entre Brasil e Índia atingiu US$ 15,2 bilhões, representando um aumento de 25,4% em relação ao ano anterior. As exportações brasileiras totalizaram US$ 6,86 bilhões, crescimento de 30,2%. Nos primeiros sete meses de 2026, o comércio bilateral alcançou US$ 10,1 bilhões, um incremento de 32,9%, enquanto as exportações brasileiras somaram US$ 5,89 bilhões, aumento de 82,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Na pauta brasileira, destacam-se produtos como petróleo, óleos vegetais, minério de ferro, açúcar e algodão. Além disso, outros itens vêm ganhando espaço, como produtos hortícolas, matérias plásticas, bombas, centrífugas, compressores de ar, máquinas não elétricas e produtos de perfumaria, que registraram aumento nas exportações em 2025, segundo o MDIC. As importações brasileiras da Índia são lideradas por compostos organo-inorgânicos, medicamentos, agroquímicos e defensivos, além de partes de veículos automotores.

Instrumentos para ampliar comércio e investimentos

O Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos (ACFI), assinado em 2020, foi aprovado pelo Congresso brasileiro e promulgado em outubro de 2025. Além disso, o processo para a entrada em vigor do protocolo que altera o acordo para evitar a dupla tributação entre os dois países foi concluído, com sua aplicação no Brasil a partir de janeiro de 2026, conforme informações do MDIC.

No setor de conectividade, o Acordo de Serviços Aéreos (ASA), promulgado em fevereiro de 2025, estabeleceu maior segurança jurídica para as operações aéreas entre Brasil e Índia e criou condições para ampliar a conectividade bilateral. Criado em 2008 e reforçado em 2020 pelo Plano de Ação da Parceria Estratégica Brasil–Índia, o TMM é considerado a principal instância bilateral para tratar de temas relacionados ao comércio de bens e identificar oportunidades de expansão das relações econômicas. A 7ª reunião do mecanismo ocorreu em outubro de 2025, em Nova Delhi.

Segundo o MDIC, a delegação brasileira contou com representantes da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), da Assessoria Internacional, da Secretaria de Desenvolvimento da Indústria, Comércio e Serviços (SDIC), além de representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), do Ministério do Empreendedorismo, Microempresa e Empresa de Pequeno Porte (MEMP) e da ApexBrasil. Pelo lado indiano, participaram o embaixador Dinesh Bhatia, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros (SEAF), e demais integrantes do ministério, liderados por Rajesh Agrawal.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.