Dicas Agro

Minhocultura: o que é e como iniciar essa prática no agronegócio

A minhocultura, setor agro, cresce no Brasil ao transformar resíduos orgânicos em húmus nutritivo, promovendo fertilidade do solo e aumento de produtividade. O processo, de baixo custo e fácil manutenção, impacta positivamente a agricultura familiar e o cultivo de plantas em diferentes regiões do país.

A minhocultura produz húmus nutritivo, melhora a fertilidade do solo e aumenta a produtividade agrícola - Foto: Reprodução.
A minhocultura produz húmus nutritivo, melhora a fertilidade do solo e aumenta a produtividade agrícola – Foto: Reprodução.

A minhocultura apresenta diversos benefícios, incluindo baixo custo e potencial de retorno financeiro. Sua manutenção é simples, exigindo pouco tempo e investimento, além de produzir material altamente nutritivo para as plantas, mesmo quando não há intenção de comercialização.

A minhocultura consiste no cultivo de minhocas para transformar resíduos orgânicos em húmus. Esse composto é fundamental para melhorar a aeração do solo e promover seu enriquecimento, resultando em uma terra mais fértil e adequada ao crescimento das plantas.

Diante dessas informações, surge a dúvida sobre como praticar a minhocultura. A seguir, serão apresentadas orientações para iniciar essa atividade.

Como iniciar a minhocultura

O primeiro passo é preparar um espaço adequado para a instalação do minhocário, que pode ser um recipiente ou tanque de alvenaria ou madeira. É importante que o local esteja elevado do solo, em área plana com leve inclinação para evitar acúmulo de água, além de ser protegido da chuva para evitar umidade excessiva.

Recomenda-se instalar telas plásticas sobre o minhocário, apoiadas por suportes de arame, bambu ou madeira, e incluir um dreno para facilitar o escoamento do excesso de umidade, garantindo a adequada circulação de ar e controle da umidade.

A proteção ou separação do minhocário do solo pode ser feita com um forro de papelão e jornal sobre uma camada de areia de construção. Caso o recipiente seja uma caixa fechada, como de alvenaria ou plástico, essa proteção já está garantida.

Criando as minhocas

As minhocas nativas mais comuns no Brasil são a brava, a mansa e o minhocoçu. Entre as espécies estrangeiras, as mais utilizadas são a vermelha-da-califórnia (ou vermelha-híbrida), a gigante africana e a europeia. Todas podem ser adquiridas por meio de compras online.

Para quem não deseja produzir em grande escala ou comercializar, uma alternativa é colocar esterco bovino amontoado em um local do terreno onde as minhocas já estejam presentes, permitindo que elas se alimentem naturalmente. Após adquirir uma quantidade suficiente, esse material pode ser transferido para o minhocário.

A alimentação das minhocas deve incluir principalmente esterco, além de gramas, frutas, folhas secas e restos vegetais em decomposição, formando uma compostagem adequada para o crescimento do número de minhocas.

As minhocas não devem ser colocadas no minhocário antes da compostagem estar completamente seca. Recomenda-se deixar o material descansar por uma semana, revirando periodicamente para aumentar o arejamento. Quando ao apertar um punhado do composto não pingar água, ele está pronto para receber as minhocas.

Cuidando do minhocário

A umidade é um fator essencial, pois as minhocas não gostam de terra encharcada. O local deve ser sombreado ou protegido do sol da tarde. Além disso, é importante evitar predadores, colocando palha seca sobre o minhocário para proteger as minhocas de aves e outros animais.

Para evitar contaminação, é recomendável remover a grama ao redor do minhocário, impedindo a entrada de sementes. Essa proteção ajuda a manter o ambiente adequado para a atividade.

Retirando o húmus

A retirada do húmus é uma etapa importante para manter a produção contínua de material orgânico. Existem diferentes métodos para essa retirada, que podem ser utilizados conforme a necessidade.

Uma técnica consiste em colocar esterco curtido e úmido sobre o minhocário para atrair as minhocas, que podem ser capturadas e transferidas para outro local. Caso não seja possível, as minhocas podem ser mantidas em um espaço separado até a retirada do húmus.

É importante aguardar aproximadamente duas semanas para que a compostagem esteja adequada às minhocas. Se o minhocário não estiver pronto, as minhocas devem ser mantidas em um local adequado até que possam ser devolvidas ao ambiente.

Outra estratégia é empurrar a terra para um lado do minhocário, deixando o outro lado para uma nova compostagem com materiais mais frescos. Assim, as minhocas migram para o novo material, facilitando a coleta do húmus pronto.

Uma última alternativa é destampar o minhocário e retirar o húmus aos poucos, aproveitando que as minhocas se enterram para evitar a claridade. Conforme elas se deslocam para camadas mais profundas, o húmus pode ser coletado, sempre devolvendo as minhocas ao ambiente.

Benefícios do húmus para as plantações

O processo de produção do húmus leva de dois a três meses, após os quais ele se torna um excelente substrato para diversas culturas, incluindo jardinagem, cultivo em vasos e produção de alimentos. O húmus de minhoca é rico em nutrientes essenciais para o crescimento saudável das plantas.

No sistema digestivo das minhocas, o solo é limpo e transformado em adubo natural, que contém nitrogênio, cálcio, magnésio, fósforo, potássio e uma flora bacteriana extensa. Além disso, o húmus melhora a aeração do solo, regula o pH, reduzindo a acidez, e aumenta a capacidade de retenção de água.

O uso do húmus na agricultura favorece a germinação, o desenvolvimento das plantas e a produtividade das culturas. Ele também contribui para a estrutura das raízes e ajuda na prevenção de doenças, promovendo um crescimento mais forte e resistente.

Fonte: Bel Agro.