
A pecuária sustentável vai além da recuperação de pastagens e da integração entre lavoura, pecuária e floresta (ILPF). Pesquisas conduzidas há mais de três décadas na Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande (MS), demonstram que produtividade, bem-estar animal, genética e certificação ambiental podem avançar conjuntamente para tornar a atividade mais eficiente e competitiva.
O experimento, um dos mais antigos do Brasil com sistemas integrados, evoluiu acompanhando as demandas do setor. Inicialmente, buscava-se aumentar a produção de carne e grãos por hectare por meio de manejo, adubação e rotação entre agricultura e pecuária.
Com o tempo, a incorporação de árvores aos sistemas trouxe benefícios adicionais, como sombreamento para os animais, diversificação da produção e geração de renda de longo prazo.
De acordo com um pesquisador da Embrapa Gado de Corte, a evolução dos sistemas possibilitou o desenvolvimento de protocolos científicos que certificam propriedades capazes de reduzir ou neutralizar as emissões de carbono.
Certificações valorizam a produção
Entre as tecnologias desenvolvidas pela Embrapa, destacam-se os protocolos Carne Baixo Carbono (CBC) e Carne Carbono Neutro (CCN).
No sistema de Carne Carbono Neutro, as árvores presentes na propriedade compensam as emissões de metano produzidas pelos animais. Na Carne Baixo Carbono, a redução das emissões ocorre por meio de manejo eficiente, mesmo em áreas sem árvores.
Além de atender às exigências ambientais, as certificações ampliam o acesso a mercados que valorizam produtos sustentáveis, como países da Europa e os Estados Unidos.
Segundo a Embrapa, essas certificações agregam valor à carne ao facilitar o acesso a mercados mais exigentes, além de potencialmente oferecer benefícios financeiros pela arroba.
Genética reduz o ciclo de produção
O melhoramento genético é um dos pilares da pecuária sustentável. Pesquisadores da Embrapa Gado de Corte trabalham no desenvolvimento de animais mais precoces, produtivos e adaptados às diferentes condições de produção.
Nas últimas décadas, a idade média de abate do gado brasileiro caiu de aproximadamente 48 meses para cerca de 30 a 33 meses. A meta é reduzir esse ciclo para 24 meses e, futuramente, para 18 meses.
Animais abatidos mais jovens permanecem menos tempo emitindo metano, apresentam melhor acabamento de carcaça e produzem carne de maior qualidade.
O avanço também se reflete nas matrizes. Com técnicas de melhoramento genético, reprodução, nutrição e manejo, algumas novilhas já conseguem emprenhar aos 14 meses, antecipando a produção de bezerros e aumentando a eficiência da atividade.
Sustentabilidade depende da integração
Para os pesquisadores, o sistema produtivo deve atuar de forma integrada, envolvendo solo, pastagem, árvores e animais.
Boas práticas de manejo do solo favorecem o desenvolvimento das forrageiras, garantindo melhor alimentação ao rebanho. Animais bem nutridos apresentam maior desempenho, sanidade e eficiência alimentar, contribuindo para a redução do impacto ambiental.
A integração de tecnologia, pesquisa e manejo é considerada pela Embrapa o principal caminho para aumentar a produção de carne na mesma área, com menor emissão de carbono e maior competitividade no mercado nacional e internacional.
Na próxima etapa das pesquisas, destaca-se o uso do cocho eletrônico, equipamento que registra individualmente o consumo alimentar dos animais e identifica aqueles com maior eficiência no ganho de peso, contribuindo para o aprimoramento genético dos rebanhos brasileiros.
Fonte: Planeta Campo.








