Pesquisa

Tecnologia impulsiona a transformação da pecuária de corte no Brasil

A tecnologia de monitoramento de eficiência alimentar em bovinos de corte na região Centro-Oeste brasileira aumenta a produtividade e reduz custos, ao avaliar desempenho, consumo e adaptação climática. Pesquisas da Embrapa indicam que animais mais eficientes, com menor consumo de alimento por ganho de peso, são essenciais para sistemas mais sustentáveis e resistentes às mudanças climáticas.

Pesquisas da Embrapa mostram que a tecnologia de monitoramento melhora a eficiência alimentar de bovinos, aumentando a produtividade e reduzindo custos na pecuária de corte do Centro-Oeste brasileiro - Foto: Planeta Campo / Reprodução.
Pesquisas da Embrapa mostram que a tecnologia de monitoramento melhora a eficiência alimentar de bovinos, aumentando a produtividade e reduzindo custos na pecuária de corte do Centro-Oeste brasileiro – Foto: Planeta Campo / Reprodução.

A adoção de tecnologias na pecuária de corte brasileira tem se intensificado, com equipamentos de monitoramento individual sendo utilizados para avaliar o desempenho dos animais e identificar aqueles com maior eficiência na conversão de alimento em peso.

A estrutura, originalmente destinada às provas de ganho de peso de reprodutores de diferentes raças, foi modernizada em 2016 com a instalação de cochos eletrônicos que registram automaticamente o consumo diário de cada animal, facilitando o cálculo da eficiência alimentar.

Segundo o pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Rodrigo da Costa Gomes, “com este equipamento é possível determinar não apenas o ganho de peso, mas também o consumo de alimento, permitindo calcular a eficiência alimentar, ou seja, quanto o animal consome para ganhar 1 kg de peso vivo”.

Antes da implementação dessa tecnologia, as avaliações se limitavam ao ganho de peso. Atualmente, é possível também mensurar a quantidade de alimento necessária para atingir determinado desempenho, informação essencial para programas de melhoramento genético.

Principal métrica utilizada

A métrica principal nas pesquisas é o consumo alimentar residual (CAR), que compara o consumo real de alimento com o esperado para cada animal. Bovinos mais eficientes consomem menos alimento para obter o mesmo ganho de peso, resultando em economia de recursos.

Gomes ressalta que a eficiência alimentar não é o único critério de seleção; os animais também passam por avaliações de fertilidade e qualidade de carcaça, essenciais para garantir a transmissão de boas características genéticas e maior produção de carne.

Ele destaca ainda que, ao serem avaliados, os animais também têm sua aptidão para produzir carcaças mais pesadas e com maior quantidade de músculo, o que aumenta a produtividade final.

O que faz um animal ser mais eficiente na questão alimentar?

Segundo Gomes, diversos fatores contribuem para a eficiência alimentar, incluindo temperamento calmo, que reduz o gasto energético, e melhor capacidade digestiva, que otimiza a utilização dos nutrientes.

A composição corporal também influencia a eficiência; bovinos com excesso de gordura tendem a ser menos eficientes, pois o depósito de gordura demanda maior consumo de alimento.

Monitoramento em tempo real

Ao entrar no cocho, o animal é reconhecido automaticamente por uma antena, que aciona uma balança instalada sob o equipamento para registrar seu consumo.

Durante toda a alimentação, o sistema armazena automaticamente o volume consumido em cada visita, mesmo que o animal acesse o cocho várias vezes ao dia.

O monitoramento é realizado por aproximadamente 50 dias consecutivos, período suficiente para calcular uma média de consumo de cada animal e realizar comparações precisas.

Pecuária mais eficiente e adaptada

Com o aumento da intensificação dos sistemas de produção, especialmente em confinamentos e na terminação a pasto, a seleção de animais capazes de aproveitar melhor dietas mais concentradas tem se tornado cada vez mais relevante.

Pesquisas indicam que bovinos mais eficientes também podem apresentar maior adaptação a condições ambientais adversas, como altas temperaturas e estresse térmico.

A Embrapa investiga a relação entre eficiência alimentar e adaptação climática, sugerindo que o melhoramento genético voltado para esse aspecto pode contribuir para rebanhos mais resistentes às mudanças climáticas, especialmente em regiões quentes e úmidas.

Fonte: Planeta Campo.