
Fundada por Bruno Mariani, que deixou o mercado financeiro para atuar no setor florestal, a companhia nasceu com a missão de restaurar áreas degradadas e criar um modelo de produção de madeira de alta qualidade, com ênfase na preservação de florestas nativas.
O projeto inicial ocorreu na fazenda Symbiosis, próxima a Trancoso, que atualmente possui 340 hectares dedicados ao reflorestamento. Posteriormente, foram acrescidas duas outras fazendas, totalizando 1.408 hectares utilizados em um projeto-piloto da empresa.
Durante o desenvolvimento, a equipe testou diversas espécies, começando com 56 variedades, incluindo melhorias genéticas e espaçamentos de plantio. Após anos de experimentação, a seleção foi reduzida a 12 espécies que apresentam maior potencial para o negócio.
Após a conclusão bem-sucedida do projeto piloto em 2023, a Symbiosis buscou um investidor institucional para ampliar suas operações. Em 2024, a gigante da tecnologia Apple se tornou parceira, adquirindo participação na subsidiária operacional, a Symbiosis Florestal.
Com o aporte financeiro, cujo valor não foi divulgado, a companhia planeja plantar 5 mil hectares de floresta na região até 2025, incluindo áreas próprias e arrendadas. A Apple também tem preferência na compra de créditos de carbono gerados pelo reflorestamento.
Para financiar essa expansão, a Symbiosis captou R$ 77 milhões junto ao Fundo Clima, do BNDES, e busca captar US$ 100 milhões até 2026 junto a investidores internacionais, divididos entre dívida e capital próprio. Segundo Alan Batista, CFO da empresa, esse montante está disponível no mercado externo, fora do Brasil.
O objetivo com esse capital é ampliar o modelo de negócios, que atualmente inclui venda de mudas, produção de madeira e créditos de carbono. A expectativa é que, até 2026, a produção de madeira seja mais estruturada, com foco na fabricação de produtos de valor agregado.
Embora ainda em fase pré-operacional, a maior parte das árvores ainda não atingiu maturidade comercial. A prioridade da empresa é investir na fabricação de produtos de madeira, como pisos, deques e móveis.
Nova unidade de produção de madeira certificada
Para consolidar essa estratégia, a Symbiosis iniciará em breve a operação de uma serraria própria, avaliada em R$ 25 milhões, financiada por acionistas e pelo Santander. A instalação ficará dentro da fazenda e terá capacidade para consumir 500 metros cúbicos de madeira por mês, equivalente a cerca de 2 hectares de cultivo de eucalipto.
Inicialmente, a serraria utilizará madeira das áreas já plantadas, produzindo itens como pisos, forros, decks e móveis. Produtos de eucalipto, Ipê e Jacarandá deverão compor a linha de produção, com destaque para a alta valorização de espécies nobres.
Estimativas internas indicam que um deck de eucalipto pode custar entre R$ 2,5 mil e R$ 3,5 mil, enquanto um de Ipê pode chegar a R$ 15 mil por metro cúbico, refletindo o potencial de valorização dos produtos finais.
Com estoques de aproximadamente 25 mil metros cúbicos de madeira de eucalipto previstos para 2026 e 2027, a empresa também atenderá pedidos pontuais de Ipê e Jacarandá, priorizando produção certificada e de pequena escala.
A Symbiosis é a única no mercado a oferecer madeira certificada pelo FSC, selo que garante a origem de florestas manejadas de forma responsável. A certificação deve agregar valor aos produtos ao longo do tempo.
O balanço financeiro da subsidiária florestal, com participação da Apple, aponta prejuízo de R$ 6,5 milhões em 2025, um aumento de 47% em relação ao ano anterior, devido a gastos com aquisição de terras e consultorias. Ainda assim, o fluxo de caixa da companhia fechou o período com R$ 21,1 milhões em caixa, e em fevereiro de 2026, recebeu R$ 26 milhões da primeira parcela do financiamento com o BNDES.
Fonte: The Agribiz.








